6  SINASC – Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos

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6.1 Resumo

Características gerais do SINASC
Característica Descrição
Ano de criação 1990
Evento registrado Nascido vivo
Documento básico Declaração de Nascido Vivo (DNV)
Unidade de análise Declaração de Nascido Vivo
Cobertura Todo o território nacional
Abrangência assistencial Nascimentos ocorridos em serviços públicos, privados, suplementares, domicílios e outros locais
Disseminação Em geral anual, com bases preliminares e consolidadas

O Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC) é a principal fonte nacional para estudar nascimentos, condições da gestação, parto, recém-nascido e características maternas. Seus dados são usados para descrever o perfil dos nascidos vivos, acompanhar desigualdades, avaliar a atenção pré-natal e ao parto, construir denominadores para indicadores infantis e apoiar o planejamento da rede materno-infantil.

6.2 Quando usar o SINASC

O SINASC deve ser usado quando a pergunta envolve nascidos vivos, nascimento, parto, condições ao nascer ou indicadores que dependem do número de nascidos vivos. Em muitas análises, ele funciona como fonte principal do numerador; em outras, como denominador para eventos registrados em sistemas como SIM (Capítulo 5) ou SINAN (Capítulo 9).

Perguntas comuns que podem ser respondidas com o SINASC
Pergunta de análise Usar SINASC para Fonte complementar comum
Quantos nascidos vivos ocorreram? Contar registros de DNV Registro Civil para comparação de cobertura
Como está o perfil dos nascimentos? Descrever peso, idade gestacional, tipo de parto e Apgar CNES para caracterizar estabelecimentos
Como está a atenção pré-natal? Analisar consultas, início do pré-natal e escolaridade materna SISAB em análises de atenção primária
Qual o denominador da mortalidade infantil? Contar nascidos vivos por residência SIM para óbitos infantis
Há desigualdades ao nascer? Estratificar por raça/cor, escolaridade, idade e território POP e bases territoriais
Qual a frequência de anomalias congênitas? Identificar registros na DNV Vigilância especializada e investigação

6.3 Histórico e organização

O SINASC foi concebido de forma semelhante ao SIM, com documento padronizado, fluxo nacional e integração com o Registro Civil. A implantação nacional começou em 1990 e os dados consolidados passaram a estar disponíveis a partir de 1994. Nos primeiros anos, o sistema enfrentou problemas de cobertura, especialmente em áreas mais remotas e em municípios das regiões Norte e Nordeste, além de desafios de rotina de crítica, duplicidade e controle de qualidade.

Estudos de avaliação indicam melhora importante da cobertura e da qualidade do SINASC, mas também mostram heterogeneidade entre municípios e variáveis. SZWARCWALD et al. (2019) estimam cobertura superior a 90% na maioria das Unidades da Federação, embora municípios remotos e mais vulneráveis ainda possam apresentar cobertura insuficiente. A qualidade também varia conforme o campo analisado; idade gestacional, paridade, escolaridade materna e anomalias congênitas exigem atenção especial (LUQUETTI; KOIFMAN, 2010; PEDRAZA, 2012).

6.4 Fluxo da Declaração de Nascido Vivo

O documento básico do SINASC é a Declaração de Nascido Vivo (DNV), padronizada nacionalmente, gerenciada e distribuída pelo Ministério da Saúde. Assim como a DO, a DNV é emitida em três vias e distribuída gratuitamente.

flowchart TD
  parto[Parto com nascido vivo] --> dnv[Declaracao de Nascido Vivo]
  dnv --> via1[1a via]
  dnv --> via2[2a via]
  dnv --> via3[3a via]

  via1 --> sms[Secretaria Municipal de Saude]
  sms --> ses[Secretaria Estadual de Saude]
  ses --> ms[Ministerio da Saude]
  ms --> sinasc[Base nacional do SINASC]

  via2 --> fam[Familia]
  fam --> rg[Registro Civil]
  rg --> cert[Certidao de Nascimento]

  via3 --> es[Estabelecimento ou prontuario]
Figura 6.1: Fluxo de emissão e destinação das vias da Declaração de Nascido Vivo

A primeira via é encaminhada à secretaria municipal de saúde para processamento e alimentação do SINASC. A segunda via é entregue à família para apresentação ao Registro Civil e emissão da certidão de nascimento. A terceira via permanece no estabelecimento de saúde ou junto ao prontuário.

6.5 O que é nascido vivo

Um nascimento é classificado como nascido vivo quando, após a separação do corpo materno, há respiração ou qualquer outro sinal de vida, independentemente da duração da gestação ou da viabilidade clínica (VIACAVA, 2009).

Essa definição é central para separar nascidos vivos de óbitos fetais. Se houve qualquer sinal de vida após a separação, o evento deve ser registrado como nascido vivo no SINASC; se ocorrer morte posteriormente, também haverá registro no SIM. Óbitos fetais são registrados no SIM, não no SINASC.

Diferenças práticas entre SINASC e SIM em eventos perinatais
Situação Sistema principal Observação
Nascido vivo sem óbito posterior SINASC Registro por DNV
Nascido vivo que morre após o parto SINASC e SIM Há DNV e Declaração de Óbito
Óbito neonatal SIM Denominador geralmente vem do SINASC
Óbito fetal SIM Não entra como nascido vivo no SINASC
Indicador de mortalidade infantil SIM + SINASC Óbitos no numerador e nascidos vivos no denominador

6.6 Cobertura e unidade de análise

A unidade de análise do SINASC é a DNV. Cada registro corresponde a um nascimento vivo, não a uma gestante acompanhada ao longo da gravidez. Em gestações múltiplas, cada nascido vivo deve ter sua própria DNV.

Dimensões importantes para análise do SINASC
Dimensão Cuidado de interpretação
Residência da mãe Usada em taxas e indicadores populacionais
Ocorrência do parto Útil para analisar rede assistencial e fluxo de partos
Recém-nascido Peso ao nascer, Apgar, sexo, anomalias e idade gestacional
Gestação e parto Tipo de gravidez, tipo de parto, consultas e duração da gestação
Mãe Idade, escolaridade, raça/cor, situação conjugal e história reprodutiva

Para estimar riscos na população residente, em geral utiliza-se o município de residência da mãe. Para avaliar concentração de partos, serviços de referência e deslocamentos para nascer, o município de ocorrência do parto é mais informativo.

6.7 Gestações múltiplas

Em gestações múltiplas, o SINASC registra cada nascido vivo separadamente. Assim, uma gestação gemelar com dois nascidos vivos deve gerar duas DNV. Isso é adequado para indicadores cujo evento é o nascido vivo, mas exige cuidado quando a pergunta se refere à gestação, à mãe ou ao parto.

Unidade de análise em gestações múltiplas
Pergunta Unidade adequada Cuidado
Quantos nascidos vivos ocorreram? Nascido vivo Cada DNV conta uma vez
Quantas gestações terminaram em nascimento vivo? Gestação Gestações múltiplas não devem ser duplicadas
Qual o perfil das mães? Mãe A mesma mãe pode aparecer mais de uma vez
Qual o perfil dos partos? Parto Partos múltiplos podem gerar múltiplos registros

6.8 Variáveis-chave

As variáveis mais usadas no SINASC podem ser organizadas em blocos analíticos. Essa organização ajuda a separar perguntas sobre perfil do recém-nascido, atenção à gestação, assistência ao parto e desigualdades sociais.

Blocos de informação disponíveis no SINASC
Bloco Exemplos de variáveis Uso típico
Recém-nascido Peso ao nascer, sexo, Apgar, anomalia congênita Condições ao nascer e risco neonatal
Gestação Idade gestacional, tipo de gravidez, consultas pré-natais Qualidade e oportunidade do pré-natal
Parto Tipo de parto, local de ocorrência, estabelecimento Organização da assistência ao parto
Mãe Idade, raça/cor, escolaridade, município de residência Desigualdades e perfil reprodutivo
Registro Data de nascimento, data de cadastro, número da DNV Controle de duplicidade e oportunidade
Aviso

Campos derivados de avaliação clínica, como idade gestacional, Apgar e anomalias congênitas, podem variar em completitude e validade. Antes de usá-los como desfecho ou critério de estratificação, avalie proporção de ignorados, mudanças no formulário e consistência com outras variáveis.

6.8.1 Transformações frequentes

Muitas análises do SINASC dependem de transformar campos originais em categorias epidemiológicas. Essas regras devem ser documentadas no método, especialmente quando há mudanças de formulário ou códigos ignorados.

Transformações comuns em análises com SINASC
Conceito Regra operacional comum Campo associado
Baixo peso ao nascer Peso menor que 2.500 g PESO
Muito baixo peso Peso menor que 1.500 g PESO
Prematuridade Menos de 37 semanas GESTACAO
Mãe adolescente Idade materna menor que 20 anos IDADEMAE
Parto cesáreo Tipo de parto cesáreo PARTO
Pré-natal insuficiente Baixo número de consultas CONSULTAS
Anomalia congênita registrada Presença informada na DNV IDANOMAL ou equivalente

6.9 Anomalias congênitas

O SINASC permite registrar anomalias congênitas identificadas no nascimento, mas esse campo é particularmente sensível à qualidade do exame, ao treinamento da equipe, à disponibilidade de diagnóstico e ao preenchimento da DNV. Estudos mostram subnotificação relevante, o que impede interpretar baixa frequência registrada como baixa ocorrência real sem avaliação de qualidade (LUQUETTI; KOIFMAN, 2010).

Para análises de anomalias congênitas, verifique a proporção de ignorados, a mudança temporal do preenchimento, a consistência por estabelecimento e a compatibilidade entre frequência observada e padrões esperados. Quando possível, complemente a análise com vigilância específica, prontuários, investigação local ou bases especializadas.

6.10 Análise territorial e temporal

Assim como no SIM, o SINASC permite análises por residência e por ocorrência. A escolha deve seguir a pergunta de pesquisa.

Recortes territoriais frequentes no SINASC
Recorte Pergunta respondida Exemplo
Residência da mãe Onde vive a população que teve filhos? Taxa bruta de natalidade por município
Ocorrência do parto Onde os partos aconteceram? Distribuição de partos por rede assistencial
Estabelecimento Em que serviço ocorreu o parto? Perfil de partos por maternidade

Na análise temporal, diferencie a data de nascimento, o ano do arquivo e a situação de consolidação da base. Bases preliminares são úteis para monitoramento oportuno, mas podem mudar com atualizações posteriores.

6.11 Exemplo: baixo peso ao nascer

Baixo peso ao nascer é um exemplo de uso do SINASC para avaliar condições ao nascer e desigualdades materno-infantis. A definição operacional mais comum considera baixo peso quando o recém-nascido pesa menos de 2.500 g.

Campos úteis em uma análise de baixo peso ao nascer
Elemento da análise Campo ou dimensão Cuidado
Desfecho PESO menor que 2.500 g Excluir peso ignorado ou inconsistente
Denominador Nascidos vivos com peso informado Documentar exclusões
Território Residência da mãe Usar para desigualdade territorial
Assistência Ocorrência ou estabelecimento Usar para rede de parto
Estratificação Idade materna, raça/cor, escolaridade Avaliar completitude
Contexto clínico Idade gestacional e tipo de gravidez Separar prematuridade e gestação múltipla

Uma análise mais consistente deve avaliar baixo peso junto com idade gestacional. Um recém-nascido pode ter baixo peso por prematuridade, restrição de crescimento intrauterino ou combinação de fatores. Em municípios pequenos, use períodos agregados ou medidas de suavização quando a proporção for instável.

library(dplyr)

baixo_peso_mun <- sinasc_p |>
  filter(!is.na(PESO), PESO > 0) |>
  mutate(baixo_peso = PESO < 2500) |>
  group_by(CODMUNRES) |>
  summarise(
    nascidos_vivos = n(),
    baixo_peso = sum(baixo_peso),
    prop_baixo_peso = baixo_peso / nascidos_vivos,
    .groups = "drop"
  )

baixo_peso_mun

Linha do tempo do SINASC

6.12 Modelo da Declaração de Nascido Vivo

Modelo de Declaração de Nascido Vivo

Modelo de Declaração de Nascido Vivo

6.13 Estrutura dos dados

O documento de estrutura do SINASC descreve as variáveis disponíveis nos arquivos de disseminação. Entre os campos de maior uso estão data de nascimento, município de residência da mãe, município de ocorrência, idade materna, escolaridade, raça/cor, número de consultas de pré-natal, tipo de parto, idade gestacional, peso ao nascer, Apgar e presença de anomalia congênita.

6.13.1 Campos mínimos para inspecionar

Os nomes e a disponibilidade das variáveis podem variar conforme o ano e a forma de acesso. Em uma primeira inspeção, costuma ser útil verificar:

Campos úteis para uma primeira inspeção dos dados do SINASC
Campo Uso
DTNASC Data de nascimento
CODMUNRES Município de residência da mãe
CODMUNNASC ou equivalente Município de ocorrência do nascimento
IDADEMAE Idade materna
RACACOR ou equivalente Raça/cor
ESCMAE ou equivalente Escolaridade materna
CONSULTAS Número de consultas pré-natais
GESTACAO Idade gestacional
PARTO Tipo de parto
PESO Peso ao nascer
APGAR1 e APGAR5 Vitalidade no 1o e 5o minutos
IDANOMAL ou equivalente Presença de anomalia congênita

6.13.2 Prefixo dos arquivos

Prefixos comuns dos arquivos do SINASC
Prefixo Conteúdo
DN Declarações de nascidos vivos
DNEX Declarações de nascidos vivos residentes no exterior

6.14 Acesso aos dados

Os dados do SINASC podem ser acessados por diferentes caminhos, a depender do objetivo da análise.

Formas de acesso aos dados do SINASC
Forma de acesso Indicação de uso
TabNet Tabulações rápidas e consultas agregadas
TabWin/DBC Download e tabulação local de arquivos do DataSUS
R Fluxos reprodutíveis com {microdatasus}
Python Fluxos reprodutíveis com PySUS
PCDaS Uso em ambiente de notebooks e infraestrutura de dados
OpenDataSUS Arquivos em formatos abertos, incluindo bases preliminares

6.14.1 TabNet

Os dados do SINASC podem ser acessados no TabNet do DataSUS, na seção de Estatísticas Vitais.

6.14.2 TabWin e transferência de arquivos

Para uso no TabWin ou em fluxos próprios de processamento, é possível baixar arquivos de dados no formato DBC e arquivos auxiliares de tabulação no serviço de transferência de arquivos do DataSUS.

6.14.3 R

O pacote {microdatasus} permite baixar e pré-processar microdados do DataSUS em R (SALDANHA; BASTOS; BARCELLOS, 2019).

library(microdatasus)

sinasc_raw <- fetch_datasus(
  year_start = 2021,
  year_end = 2021,
  uf = "AC",
  information_system = "SINASC"
)

sinasc_p <- process_sinasc(sinasc_raw)

sinasc_p

6.14.4 Python

A biblioteca PySUS também permite acessar dados do SINASC em fluxos de análise em Python.

6.14.5 PCDaS

Os dados do SINASC estão disponíveis na Plataforma de Ciência de Dados aplicada à Saúde (PCDaS) para acesso em ambiente de notebooks.

6.14.6 OpenDataSUS

Dados em formato CSV estão sendo disponibilizados no OpenDataSUS, incluindo versões preliminares de anos recentes.

6.15 Relacionamento com outros sistemas

O SINASC é frequentemente combinado com outros sistemas para construir indicadores de saúde materno-infantil. A integração pode ser feita por agregação territorial e temporal ou por relacionamento de registros, quando a finalidade e a governança dos dados justificarem esse procedimento.

Integrações frequentes entre o SINASC e outros sistemas
Pergunta Fontes combinadas Cuidado principal
Mortalidade infantil SINASC + SIM (Capítulo 5) Usar nascidos vivos como denominador e óbitos por idade
Mortalidade neonatal SINASC + SIM Separar óbitos neonatais precoces e tardios
Eventos gestacionais notificados SINASC + SINAN (Capítulo 9) Harmonizar identificação, datas e território
Partos e rede assistencial SINASC + CNES (Capítulo 10) Relacionar estabelecimento e tipo de serviço
Indicadores populacionais SINASC + POP (Apêndice D) Usar população residente compatível com o período

Em relacionamentos determinísticos ou probabilísticos, defina previamente a unidade final de análise. Ao relacionar SINASC e SIM, por exemplo, a unidade pode ser o nascimento, o óbito infantil ou o par nascimento-óbito, dependendo da pergunta.

6.16 Uso como denominador

O SINASC é frequentemente usado como denominador porque registra a população de nascidos vivos exposta a eventos no primeiro ano de vida ou em períodos próximos ao nascimento. O ponto principal é garantir que numerador e denominador usem o mesmo recorte territorial, temporal e populacional.

Uso do SINASC como denominador em indicadores
Indicador Numerador Denominador no SINASC
Mortalidade infantil Óbitos menores de 1 ano no SIM Nascidos vivos
Mortalidade neonatal Óbitos de 0 a 27 dias no SIM Nascidos vivos
Mortalidade neonatal precoce Óbitos de 0 a 6 dias no SIM Nascidos vivos
Mortalidade pós-neonatal Óbitos de 28 a 364 dias no SIM Nascidos vivos
Razão de mortalidade materna Óbitos maternos no SIM Nascidos vivos

Quando o indicador é uma proporção entre nascidos vivos, como baixo peso ao nascer ou parto cesáreo, o SINASC fornece numerador e denominador. Quando o indicador envolve óbitos, o numerador vem do SIM e o denominador costuma vir do SINASC.

6.17 Principais usos e indicadores

Segundo RIPSA (2008), os dados do SINASC são utilizados na construção de indicadores demográficos, reprodutivos e materno-infantis. A ficha de cada indicador deve explicitar numerador, denominador, período, território, faixa etária materna e critérios de inclusão.

Exemplos de indicadores construídos com dados do SINASC
Indicador Numerador principal Denominador ou cuidado
Taxa bruta de natalidade Nascidos vivos População residente
Taxa específica de fecundidade Nascidos vivos por idade materna Mulheres da mesma faixa etária
Proporção de baixo peso ao nascer Nascidos vivos com peso menor que 2.500 g Nascidos vivos com peso informado
Proporção de prematuridade Nascidos vivos pré-termo Verificar qualidade da idade gestacional
Proporção de parto cesáreo Nascidos vivos por cesariana Interpretar segundo tipo de serviço e risco
Cobertura de pré-natal Nascidos vivos por número de consultas Observar mudanças de formulário e ignorados
Mortalidade infantil Óbitos menores de 1 ano no SIM Nascidos vivos do SINASC

Consulte o livro da RIPSA para mais detalhes sobre esses e outros indicadores.

6.18 Cuidados de interpretação

Ao utilizar o SINASC, alguns cuidados são recorrentes:

  • verificar se a unidade de análise é nascido vivo, parto, gestação ou mãe;
  • distinguir município de residência da mãe e município de ocorrência do parto;
  • verificar cobertura antes de comparar municípios pequenos ou áreas remotas;
  • avaliar completitude e consistência de idade gestacional, peso, Apgar, raça/cor, escolaridade e anomalias congênitas;
  • separar nascidos vivos de óbitos fetais;
  • considerar mudanças no formulário, nas regras de preenchimento e na consolidação das bases;
  • evitar interpretar número de consultas pré-natais sem considerar idade gestacional e acesso aos serviços;
  • avaliar duplicidades, especialmente quando a análise usa microdados.
Checklist de qualidade para análises com SINASC
Checagem Por que importa
Cobertura por território Evita comparar municípios com captação desigual
Duplicidades Impede superestimação de nascidos vivos
Peso e idade gestacional Identifica valores incompatíveis
Ignorados por variável Mede perda de informação
Residência e ocorrência Define corretamente risco e oferta
Parto único ou múltiplo Afeta peso, prematuridade e unidade de análise
Base preliminar ou consolidada Evita que atualizações pareçam tendência
Aviso

Erros comuns incluem calcular taxas por ocorrência com população residente, usar nascidos vivos como proxy de gestantes, comparar prematuridade sem avaliar mudanças na mensuração da idade gestacional e interpretar baixa frequência de anomalias congênitas como ausência do problema sem verificar subnotificação.

6.19 Bibliografia recomendada

6.19.1 Documentos auxiliares

6.19.2 Vídeos

6.19.3 Avaliação da qualidade dos dados

  • Artigo Avaliação das informações do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), Brasil (SZWARCWALD et al., 2019). Disponível aqui.
  • Artigo Qualidade do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc): análise crítica da literatura (PEDRAZA, 2012). Disponível aqui.
  • Artigo Qualidade da notificação de anomalias congênitas pelo Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC): estudo comparativo nos anos 2004 e 2007 (LUQUETTI; KOIFMAN, 2010). Disponível aqui.