9  SINAN – Sistema de Informação de Agravos de Notificação

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9.1 Resumo

Características gerais do SINAN
Característica Descrição
Ano de criação 1993
Evento registrado Suspeita, confirmação, investigação ou acompanhamento de doença, agravo ou evento de saúde pública
Documento básico Ficha de notificação e, quando aplicável, ficha de investigação ou acompanhamento
Unidade de análise Notificação, caso, investigação ou episódio, conforme o agravo
Cobertura Serviços públicos e privados, conforme a lista de notificação compulsória
Abrangência Lista nacional, com possibilidade de inclusão de agravos de interesse estadual ou municipal
Disseminação Mensal ou por bases específicas, com defasagem variável conforme agravo e forma de acesso

O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) é uma das principais fontes da vigilância epidemiológica no Brasil. Ele registra doenças, agravos e eventos de saúde pública que exigem notificação, investigação, monitoramento ou resposta do sistema de saúde.

O ponto central para interpretar o SINAN é que o sistema não registra apenas casos confirmados. Em muitos agravos, a entrada ocorre a partir de uma suspeita, e a classificação final pode ser confirmada, descartada, inconclusiva ou ainda estar em investigação. Por isso, qualquer análise deve declarar se está contando notificações, casos confirmados, casos prováveis, casos descartados ou registros em acompanhamento.

9.2 Quando usar o SINAN

O SINAN deve ser usado quando a pergunta envolve doenças e agravos de notificação compulsória, vigilância epidemiológica, surtos, investigação de casos, confirmação/descarte, encerramento, oportunidade da notificação ou perfil de casos notificados.

Perguntas comuns que podem ser respondidas com o SINAN
Pergunta de análise Usar SINAN para Fonte complementar comum
Quantos casos foram notificados? Contar notificações População (Apêndice D) para taxas
Quantos casos foram confirmados? Filtrar classificação final Definição de caso vigente
Onde ocorreu a provável infecção? Analisar local provável de infecção Dados ambientais, vetoriais ou territoriais
Onde mora a pessoa notificada? Analisar município de residência População residente
O caso evoluiu para óbito? Analisar evolução/desfecho SIM (Capítulo 5) para mortalidade
O caso foi internado? Analisar gravidade ou vínculo com internação SIH (Capítulo 7)
Houve atraso de notificação? Comparar datas de sintomas, notificação e digitação Rotinas locais de vigilância

9.3 Histórico e organização

O SINAN é responsável por coletar, transmitir e disseminar dados sobre doenças, agravos e eventos de saúde pública cuja notificação é compulsória em território nacional. A lista nacional de notificação compulsória é atualizada conforme mudanças no cenário epidemiológico, risco de surto ou epidemia, magnitude, gravidade, transcendência e vulnerabilidade. Em 2026, a lista foi atualizada pela Portaria GM/MS nº 10.175, de 23 de janeiro de 2026, incluindo anomalias congênitas.

A lista inclui doenças transmissíveis, doenças imunopreveníveis, agravos relacionados ao trabalho, acidentes por animais peçonhentos, violências, eventos adversos, óbitos de interesse da vigilância, emergências de saúde pública e outros eventos que exigem resposta oportuna.

A implantação do SINAN foi iniciada em 1993 de forma gradual. Nos primeiros anos, o sistema enfrentou problemas de fluxo, gestão e limitações do programa informatizado. A regulamentação de seu funcionamento ocorreu em 1998, tornando obrigatória a alimentação regular da base nacional por municípios, estados e Distrito Federal e contribuindo para melhoria dos dados (CAETANO, 2009).

A unidade operacional do SINAN são as fichas de notificação, investigação, conclusão ou acompanhamento, que variam conforme o agravo. Um caso suspeito pode ser notificado inicialmente com informações mínimas e receber atualizações posteriores sobre investigação, exames, classificação final, evolução e encerramento. As informações subsidiam vigilância, detecção de surtos, acompanhamento de epidemias, avaliação de ações de controle e planejamento em saúde.

9.4 Fluxo da notificação

O fluxo geral do SINAN começa na suspeita ou confirmação de um evento de notificação, passa pela unidade notificadora e pelas esferas municipal, estadual e federal, e pode incluir investigação, exames, classificação final e encerramento.

flowchart TD
  cs[Caso suspeito ou confirmado] --> us[Unidade notificadora]
  us --> not[Notificação]
  not --> sms[Secretaria Municipal de Saúde]
  sms --> ses[Secretaria Estadual de Saúde]
  ses --> ms[Ministério da Saúde]
  not --> inv[Investigação]
  inv --> exam[Exames e critérios clínico-epidemiológicos]
  exam --> final[Classificação final]
  final --> conf[Caso confirmado]
  final --> desc[Caso descartado]
  final --> incon[Caso inconclusivo]
  conf --> enc[Encerramento ou acompanhamento]
  desc --> enc
  incon --> enc
  enc --> sms
Figura 9.1: Fluxo de notificação do SINAN

Esse fluxo reforça que o SINAN é uma base dinâmica. Dependendo do agravo e do momento da extração, uma base pode conter notificações recentes ainda sem encerramento, registros antigos corrigidos ou casos descartados após investigação.

9.5 SINAN NET, SINAN Online e e-SUS SINAN

O SINAN teve diferentes versões e estratégias operacionais. O SINAN NET é a versão usada para grande parte dos agravos; o SINAN Online permanece associado a alguns fluxos, como dengue e chikungunya; e o e-SUS SINAN moderniza o registro, com formulários on-line e integração progressiva de agravos.

Versões e formas de disseminação relacionadas ao SINAN
Sistema ou módulo Uso principal Cuidado analítico
SINAN NET Notificação e investigação de agravos com fichas padronizadas Layouts e rotinas podem variar por agravo
SINAN Online Registros on-line de agravos específicos Nem todo agravo está no mesmo módulo
e-SUS SINAN Modernização do registro e notificação on-line Transição pode gerar mudanças de fluxo e estrutura
OpenDataSUS Bases abertas de alguns agravos Campos, periodicidade e atualização variam por base

O Ministério da Saúde mantém uma página sobre o SINAN e uma plataforma específica do e-SUS SINAN.

Linha do tempo do SINAN

9.6 Estrutura dos dados

O SINAN apresenta dados para todos os casos suspeitos notificados, independente do diagnóstico final. Desta forma, para se obter o total de casos confirmados para determinada doença ou agravo, deve-se filtrar os dados segundo o diagnóstico final.

Durante epidemias, observa-se no SINAN um aumento de casos notificados, que podem ou não ser confirmados posteriormente com o acompanhamento do caso.

Nota

Uma possível utilidade para se manter o registro dos casos descartados é o cálculo do Indicador de Positividade, que avalia a proporção de casos confirmados dentre os casos notificados.

\[ pos = \frac{c_c}{c_c + c_d + c_i} \]

Onde \(c_c\) são casos confirmados, \(c_d\) são casos descartados e \(c_i\) são casos com diagnóstico inconclusivo.

A confirmação de casos, em geral, pode ser feita por exames laboratoriais, testes rápidos, critérios clínicos, critérios epidemiológicos ou combinação desses elementos, conforme a definição de caso vigente. A confirmação clínico-epidemiológica costuma ser mais adotada em situações de surtos e epidemias, quando há limitação de exames disponíveis. Em casos suspeitos de dengue, por exemplo, um caso pode ser confirmado a partir de sintomas e vínculo epidemiológico com caso confirmado laboratorialmente.

Na impossibilidade de realização de confirmação laboratorial específica ou em casos com resultados laboratoriais inconclusivos, deve-se considerar a confirmação por vínculo epidemiológico com um caso confirmado laboratorialmente, após avaliação da distribuição espacial e espaço-temporal dos casos confirmados.(BRASIL, 2024a)

9.7 Definições de caso

As definições de caso são específicas por agravo e podem mudar ao longo do tempo. Antes de calcular incidência, letalidade, positividade ou oportunidade, verifique a definição vigente no período analisado.

Termos usados na classificação de casos no SINAN
Termo Sentido operacional Cuidado
Caso suspeito Registro que atende a critérios iniciais de suspeição Pode ser descartado após investigação
Caso provável Registro com evidência suficiente para monitoramento, mas sem confirmação plena Definição varia por agravo
Caso confirmado Registro que atende à definição de confirmação Pode ser confirmado por critério laboratorial, clínico-epidemiológico ou outro
Caso descartado Notificação investigada que não atende à definição de caso Útil para positividade e qualidade da vigilância
Caso inconclusivo Registro sem elementos suficientes para confirmar ou descartar Pode indicar problema de investigação ou perda de seguimento
Critério laboratorial Confirmação baseada em exame ou teste Depende de oportunidade e disponibilidade de testagem
Critério clínico-epidemiológico Confirmação por quadro clínico e vínculo epidemiológico Frequente em surtos e períodos epidêmicos
Vínculo epidemiológico Associação com caso, exposição, local ou período conhecido Exige investigação territorial e temporal
Aviso

Não reutilize automaticamente códigos de classificação final de um agravo em outro. O significado de campos como CLASSI_FIN, CRITERIO e EVOLUCAO depende do dicionário específico.

9.8 Unidade de análise

A unidade de análise no SINAN depende da pergunta e do agravo. Em geral, uma linha representa uma notificação ou investigação, mas o analista pode querer contar casos confirmados, episódios, pessoas, surtos ou acompanhamentos.

Unidades de análise frequentes no SINAN
Unidade O que representa Quando usar Cuidado
Notificação Registro inicial de suspeita ou evento Monitoramento oportuno e sensibilidade da vigilância Inclui descartados e registros em investigação
Caso confirmado Registro que atende à definição de caso Incidência e indicadores epidemiológicos Exige filtro de classificação final
Caso descartado Notificação investigada e descartada Qualidade da vigilância e positividade Não deve ser somado a confirmados
Pessoa Indivíduo notificado Estudos individuais e relacionamento de bases Pode haver duplicidade ou reinfecção
Episódio Evento clínico ou epidemiológico Agravos com reinfecção ou recorrência Requer regra temporal
Acompanhamento Seguimento de tratamento ou evolução Tuberculose, hanseníase e agravos crônicos Pode depender de fichas específicas
Surto Evento coletivo Investigação de surtos Unidade não é o caso individual
Aviso

Evite escrever “casos” quando o numerador conta notificações sem filtro de classificação final. A distinção entre caso suspeito, confirmado, descartado e em investigação é central no SINAN.

9.9 Datas e territórios

Dados de casos suspeitos reportados no SINAN podem apresentar diversas variáveis de datas e locais relativas a diferentes momentos do acompanhamento do caso. As datas mais comuns são: data de primeiros sintomas, data de provável infecção, data de notificação, data de digitação, data de exames laboratoriais, data de diagnóstico final, data de encerramento e data de evolução. Já as variáveis de localização mais comuns são: município/UF de provável infecção, município/UF de residência e município/UF de notificação.

Datas e territórios usados em análises do SINAN
Recorte Pergunta respondida Exemplo de uso
Início de sintomas Quando a doença começou? Curva epidêmica
Notificação Quando o sistema foi acionado? Oportunidade da vigilância
Digitação Quando entrou na base? Atraso operacional
Encerramento Quando a investigação foi concluída? Qualidade do acompanhamento
Residência Onde vive a pessoa notificada? Taxa por população residente
Provável infecção Onde ocorreu a exposição? Autoctonia e investigação ambiental
Notificação Onde o caso foi notificado? Fluxo de serviços e vigilância

9.9.1 Que data usar?

Escolha de datas para análises com SINAN
Objetivo Data preferida Alternativa Cuidado
Curva epidêmica Início dos sintomas Data provável de infecção Pode haver ignorados ou datas inconsistentes
Monitoramento operacional Notificação Digitação Mede entrada no sistema, não início do evento
Oportunidade da vigilância Sintomas e notificação Notificação e digitação Definir o intervalo antes da análise
Encerramento Encerramento Classificação final Prazos variam por agravo
Resultado laboratorial Coleta ou resultado do exame Notificação Nem todo caso tem exame
Incidência territorial Data de sintomas e residência Provável infecção Depende da pergunta epidemiológica

Para acompanhamento epidemiológico, é comum usar data de início de sintomas, semana epidemiológica ou data provável de infecção, a depender do agravo. Para taxas populacionais, use município de residência; para investigação de transmissão, use local provável de infecção; para gestão de serviços, use município ou unidade notificadora.

Casos em que o município ou UF de provável infecção é o mesmo da residência podem ser classificados como autóctones, isto é, a infecção provavelmente ocorreu no território de residência. Quando o local provável de infecção é diferente da residência, podem ser classificados como alóctones.

9.10 Dicionário mínimo

Os campos variam conforme agravo, versão da ficha e forma de acesso, mas alguns nomes aparecem com frequência em bases do SINAN e ajudam na primeira inspeção.

Campos frequentes em bases do SINAN
Campo comum Uso típico Atenção
DT_NOTIFIC Data de notificação Não é necessariamente início dos sintomas
DT_SIN_PRI Data dos primeiros sintomas Pode estar ausente em agravos sem sintomas definidos
SEM_NOT ou equivalente Semana epidemiológica da notificação Confirmar se deriva de notificação ou sintomas
ID_MUNICIP Município de notificação Pode representar serviço, não residência
ID_MN_RESI Município de residência Usar em taxas populacionais
CLASSI_FIN Classificação final Códigos variam por agravo
CRITERIO Critério de confirmação/descarte Laboratorial, clínico-epidemiológico ou outros
EVOLUCAO Evolução do caso Pode exigir relacionamento com SIM para óbitos
DT_ENCERRA Data de encerramento Usada para oportunidade de investigação
Campos laboratoriais Coleta, resultado e método Disponibilidade varia por agravo

9.11 Qualidade dos dados

A qualidade do SINAN deve ser avaliada por agravo, período, território e variável. Mudanças de ficha, definição de caso, fluxo de notificação, disponibilidade de testes e versões do sistema podem alterar séries temporais.

Dimensões de qualidade importantes no SINAN
Dimensão Pergunta de controle
Completitude Campos essenciais estão preenchidos?
Consistência Datas, idade, sexo, evolução e classificação final são compatíveis?
Duplicidade Há registros repetidos da mesma pessoa ou episódio?
Oportunidade Quanto tempo passou entre sintomas, notificação, digitação e encerramento?
Encerramento Casos antigos permanecem sem classificação final?
Definição de caso A regra vigente mudou no período?
Sensibilidade da vigilância Aumento de notificações reflete transmissão, busca ativa ou mudança operacional?
library(dplyr)

validacao_sinan <- sinan_p |>
  summarise(
    notificacoes = n(),
    sem_classificacao_final = sum(
      is.na(CLASSI_FIN) | CLASSI_FIN == "",
      na.rm = TRUE
    ),
    sem_municipio_residencia = sum(
      is.na(ID_MN_RESI) | ID_MN_RESI == "",
      na.rm = TRUE
    ),
    sem_data_notificacao = sum(is.na(DT_NOTIFIC)),
    sem_data_sintomas = sum(is.na(DT_SIN_PRI)),
    encerramento_pendente = sum(is.na(DT_ENCERRA), na.rm = TRUE)
  )

validacao_sinan
Nota

Os nomes dos campos variam entre agravos e formas de acesso. Antes de automatizar validações, confira o dicionário de dados específico do agravo.

9.12 Oportunidade da vigilância

Oportunidade mede o tempo entre etapas da vigilância. Ela ajuda a avaliar se o sistema detecta, registra, investiga e encerra casos em tempo adequado para orientar resposta.

Intervalos comuns para medir oportunidade no SINAN
Intervalo Cálculo operacional Interpretação
Sintomas até notificação DT_NOTIFIC - DT_SIN_PRI Tempo até o sistema ser acionado
Notificação até digitação Data de digitação menos DT_NOTIFIC Atraso operacional de entrada no banco
Notificação até encerramento DT_ENCERRA - DT_NOTIFIC Tempo de investigação e conclusão
Sintomas até coleta Data de coleta menos DT_SIN_PRI Oportunidade de diagnóstico laboratorial
Coleta até resultado Data do resultado menos data de coleta Tempo laboratorial
library(dplyr)

oportunidade_sinan <- sinan_p |>
  mutate(
    dias_sintomas_notificacao = as.numeric(DT_NOTIFIC - DT_SIN_PRI),
    dias_notificacao_encerramento = as.numeric(DT_ENCERRA - DT_NOTIFIC)
  ) |>
  summarise(
    mediana_sintomas_notificacao = median(
      dias_sintomas_notificacao,
      na.rm = TRUE
    ),
    p90_sintomas_notificacao = quantile(
      dias_sintomas_notificacao,
      0.90,
      na.rm = TRUE
    ),
    mediana_notificacao_encerramento = median(
      dias_notificacao_encerramento,
      na.rm = TRUE
    ),
    .groups = "drop"
  )

oportunidade_sinan
Nota

Antes de calcular intervalos, remova datas impossíveis, como notificação anterior ao início dos sintomas quando isso não fizer sentido para o agravo, ou encerramento anterior à notificação.

9.13 Duplicidades e recorrências

Duplicidades podem surgir por erro de digitação, notificação em mais de um serviço, transferência de investigação, reinfecção ou recorrência. A regra de deduplicação deve ser definida por agravo.

Situações que afetam deduplicação no SINAN
Situação Possível regra Cuidado
Duplicidade administrativa Mesmo identificador, pessoa, data e agravo Pode ser removida após verificação
Notificações em serviços diferentes Mesma pessoa e datas próximas Escolher registro mais completo ou consolidar
Reinfecção Mesmo indivíduo em período posterior Pode representar novo episódio
Recidiva ou acompanhamento Novo registro ligado ao mesmo processo clínico Depende do agravo
Transferência Registro atualizado por outro município ou serviço Evitar contar duas vezes

Em bases públicas sem identificadores nominais, a deduplicação individual pode ser limitada. Em análises agregadas, documente a impossibilidade de deduplicar pessoas quando o indicador contar registros ou notificações.

9.14 Exemplo: dengue

Dengue é um exemplo clássico de uso do SINAN porque combina notificação de suspeitos, investigação, confirmação ou descarte, classificação clínica, evolução, local provável de infecção e defasagem entre ocorrência e registro.

Campos úteis em uma análise de dengue no SINAN
Elemento da análise Campo ou dimensão Cuidado
Numerador Casos confirmados ou prováveis Filtrar classificação final conforme definição vigente
Denominador População residente Usar território e período compatíveis
Tempo Semana de início de sintomas Evitar misturar com data de notificação
Território Residência ou provável infecção Escolher conforme pergunta
Gravidade Sinais de alarme, dengue grave, hospitalização ou evolução Campos variam por ficha e período
Oportunidade Diferença entre sintomas e notificação Pode variar por acesso ao serviço
library(dplyr)

dengue_confirmada_mun <- sinan_p |>
  filter(CLASSI_FIN %in% codigos_confirmados_dengue) |>
  group_by(ID_MN_RESI) |>
  summarise(
    casos_confirmados = n(),
    obitos = sum(EVOLUCAO %in% codigos_obito, na.rm = TRUE),
    .groups = "drop"
  ) |>
  left_join(pop_municipal, by = c("ID_MN_RESI" = "codmun")) |>
  mutate(incidencia_100mil = casos_confirmados / populacao * 100000)

dengue_confirmada_mun
Aviso

Em análises de dengue, bases recentes podem estar incompletas por atraso de notificação, investigação e encerramento. Para monitoramento oportuno, métodos de correção de atraso, como nowcasting, podem ser necessários.

9.15 Arboviroses

Arboviroses são um dos usos mais frequentes do SINAN e do OpenDataSUS. Dengue, chikungunya, zika, febre amarela e febre Oropouche compartilham desafios analíticos, como sazonalidade, atraso de notificação, mudança na disponibilidade de testes, confirmação clínico-epidemiológica e sobreposição territorial.

Arboviroses com uso frequente do SINAN
Agravo Fonte comum Uso típico Cuidado
Dengue SINAN, OpenDataSUS, InfoDengue Incidência, surtos, gravidade e oportunidade Bases recentes sofrem atraso de encerramento
Chikungunya SINAN e OpenDataSUS Incidência e distribuição territorial Sintomas e confirmação podem se sobrepor a outras arboviroses
Zika SINAN e OpenDataSUS Monitoramento territorial e eventos associados Sensibilidade depende de suspeição e testagem
Febre amarela SINAN, investigação e OpenDataSUS Vigilância de casos humanos e eventos epizoóticos Exige interpretação ambiental e vacinal
Febre Oropouche e-SUS SINAN e notas técnicas Emergência e monitoramento recente Campos e fluxo podem mudar rapidamente

Em análises comparativas entre arboviroses, evite somar agravos sem harmonizar definição de caso, período, critério de confirmação, município de residência e local provável de infecção.

9.16 Agravos por área de vigilância

Dada a diversidade de doenças e agravos cobertos pelo SINAN, a consulta fica mais fácil quando os arquivos são agrupados por área de vigilância. A tabela abaixo é um guia rápido; os documentos detalhados aparecem na sequência.

Guia rápido de agravos e prefixos do SINAN
Área Agravos ou eventos Prefixos comuns Observação
Arboviroses e zoonoses Dengue, chikungunya, zika, febre amarela, Oropouche, raiva, hantavirose, febre maculosa, leptospirose, Chagas, leishmanioses, acidentes por animais peçonhentos DENG, CHIK, ZIKA, RAIV, HANT, FMAC, LEPT, CHAG, LTAN, LEIV, ANIM Local provável de infecção é central
Imunopreveníveis e exantemáticas Difteria, coqueluche, tétano, poliomielite/PFA, doenças exantemáticas, síndrome da rubéola congênita DIFT, COQU, TETA, TETN, PFAN, EXAN, SRC Oportunidade de notificação e investigação é crítica
Infecções e doenças transmissíveis Tuberculose, hanseníase, hepatites virais, HIV/Aids, meningite, cólera, botulismo, febre tifóide, rotavírus TUBE, HANS, HEPA, HIVA, AIDA, MENI, COLE, BOTU, FTIF, ROTA Algumas exigem acompanhamento longitudinal
Saúde do trabalhador Acidente de trabalho, material biológico, LER/DORT, dermatoses, pneumoconioses, perda auditiva, câncer e transtornos mentais relacionados ao trabalho ACGR, ACBI, LERD, DERM, PNEU, PAIR, CANC, MENT Vínculo com trabalho e preenchimento ocupacional são essenciais
Violências e acidentes Violência interpessoal/autoprovocada, violência doméstica/sexual, intoxicação exógena, atendimento antirrábico VIOL, IEXO, ANTR Envolve sigilo, fluxos intersetoriais e subnotificação
Eventos específicos e inquéritos Surtos de DTA, tracoma, inquérito de tracoma, notificação individual, mpox SDTA, NTRA, TRAC, NIND, e-SUS SINAN Estrutura pode diferir bastante entre bases

9.17 Catálogo de documentos por agravo

A seguir estão prefixos, CIDs e documentos locais disponíveis para alguns agravos. Use essa lista como porta de entrada para localizar ficha, instrucional, caderno de análise e dicionário de dados.

9.17.1 Acidente de trabalho com material biológico

  • Prefixo dos arquivos: ACBI

9.17.2 Acidente de trabalho

  • Prefixo dos arquivos: ACGR

Fluxograma de vigilância em saúde do trabalhador

Fonte: BRASIL (2024b)

9.17.3 AIDS em adultos

  • Prefixo dos arquivos: AIDA
  • Códigos CID-10
  • Infecção pelo HIV: Z21
  • Aids: B20-B24
  • Gestante HIV: Z21
  • Criança exposta ao HIV: Z20.6

9.17.4 AIDS em crianças

  • Prefixo dos arquivos: AIDC
  • Código CID-10 (Criança exposta ao HIV): Z20.6

9.17.5 Acidentes por Animais Peçonhentos

9.17.6 Atendimento antirrábico

  • Prefixo dos arquivos: ANTR

9.17.7 Botulismo

9.17.8 Câncer relacionado ao trabalho

  • Prefixo dos arquivos: CANC

9.17.9 Doença de Chagas

Ciclo de transmissão vetorial da doença de Chagas

Fonte: BRASIL (2024a)

Fluxograma para confirmar ou descartar casos suspeitos de doença de Chagas aguda (DCA), segundo critério laboratorial

Fonte: BRASIL (2024a)

Fluxograma para confirmar ou descartar casos suspeitos de doença de Chagas crônica (DCC), segundo critério laboratorial

Fonte: BRASIL (2024a)

Fluxograma para investigação epidemiológica da doença de Chagas

Fonte: BRASIL (2024a)

9.17.10 Chikungunya

9.17.11 Cólera

Fluxograma de investigação de casos suspeitos de cólera

Fonte: BRASIL (2024b)

9.17.12 Coqueluche

9.17.13 Dengue

9.17.14 Dermatoses ocupacionais

  • Prefixo dos arquivos: DERM
  • CID-10: L98.9

Fluxograma de vigilância em saúde do trabalhador para dermatoses

Fonte: BRASIL (2024c)

9.17.15 Esporotricose (Epizootia)

  • Prefixo dos arquivos: ESPO
  • CID-10: B42

9.17.16 HIV em adultos

  • Prefixo dos arquivos: HIVA

9.17.17 HIV em crianças

  • Prefixo dos arquivos: HIVC

9.17.18 HIV em crianças expostas

  • Prefixo dos arquivos: HIVE

9.17.19 HIV em gestante

  • Prefixo dos arquivos: HIVG

9.17.20 Influenza pandêmica

  • Prefixo dos arquivos: INFL

9.17.21 Rotavírus

9.17.22 Surto de doenças transmitidas por alimentos

  • Prefixo dos arquivos: SDTA

9.17.23 Difteria

Roteiro de investigação epidemiológica da difteria

Fonte: BRASIL (2024b)

9.17.24 Esquistossomose mansoni

Algoritmo do Sistema de Informação para Esquistossomose

Fonte: BRASIL (2024a)

9.17.25 Doenças Exantemáticas

9.17.26 Febre Amarela

Dinâmica de transmissão do vírus da febre amarela, principalmente nos anos recentes no bioma Mata Atlântica

Fonte: BRASIL (2024a)

9.17.27 Febre Maculosa

Fluxograma de investigação epidemiológica da febre maculosa brasileira

Fonte: BRASIL (2024c)

9.17.28 Febre Oropouche

9.17.29 Febre Tifóide

9.17.30 Hanseníase

9.17.31 Hantavirose

Transmissão das hantaviroses

Fonte: BRASIL (2024c)

9.17.32 Hepatites Virais

9.17.33 Intoxicação Exógena

9.17.34 Leishmaniose Tegumentar Americana

9.17.35 Leishmaniose Visceral

9.17.36 Leptospirose

Roteiro de investigação da leptospirose

Fonte: BRASIL (2024c)

9.17.37 LER/DOT

  • Prefixo dos arquivos: LERD

9.17.38 Malária

Cuidado

A notificação de casos de malária no SINAN cobre a região extra-amazônica. Casos de malária na região amazônica são notificados no SIVEP Malária (Apêndice E).

9.17.39 Meningite

9.17.40 Transtornos mentais relacionais ao trabalho

  • Prefixo dos arquivos: MENT

9.17.41 Notificação de tracoma

  • Prefixo dos arquivos: NTRA
  • CID-10
    • Tracoma: A71
    • Sequelas de tracoma: B94.0

9.17.42 Inquérito de tracoma

  • Prefixo dos arquivos: TRAC

9.17.43 Perda auditiva por ruído relacionado ao trabalho

  • Prefixo dos arquivos: PAIR

9.17.44 Monkeypox

A notificação de Monkeypox (Mpox) está sendo realizada com o e-SUS SINAN, uma nova versão do SINAN.

9.17.45 Notificação Individual

9.17.46 Notificação Individual e-SUS SINAN

9.17.47 Peste

Roteiro da investigação epidemiológica da peste

Fonte: BRASIL (2024c)

9.17.48 Poliomielite / Paralisia Flácida Aguda

Fluxograma de investigação epidemiológica de paralisia flácida aguda: conduta frente a casos suspeitos

Fonte: BRASIL (2024b)

9.17.49 Pneumoconioses relacionadas ao trabalho

  • Prefixo dos arquivos: PNEU
  • CID-10: J64

9.17.50 Raiva Humana

Ciclos epidemiológicos de transmissão da raiva

Fonte: BRASIL (2024c)

Roteiro para investigação de casos de raiva humana

Fonte: BRASIL (2024c)

9.17.51 Sífilis adquirida

  • Prefixo dos arquivos: SIFA
  • CID-10: A53.9

9.17.52 Sífilis Congênita

9.17.53 Sífilis em Gestante

9.17.54 Síndrome da Rubéola Congênita

Fluxograma do sistema de vigilância da síndrome da rubéola congênita

Fonte: BRASIL (2024b)

9.17.55 Tétano Acidental

9.17.56 Tétano Neonatal

9.17.57 Toxoplasmose congênita

  • Prefixo dos arquivos: TOXC
  • CID-10: P37.1

9.17.58 Toxoplasmose gestacional

  • Prefixo dos arquivos: TOXG
  • CID-10: O98.6

9.17.59 Tuberculose

Instrumentos de registro utilizados na investigação epidemiológica da tuberculose

Fonte: BRASIL (2024a)

9.17.60 Varicela / Herpes-Zóster

  • Prefixo dos arquivos: VARC
  • CID-10: B01/B02

9.17.61 Violência doméstica, sexual e/ou outras violências

  • Prefixo dos arquivos: VIOL

9.17.62 Violência Interpessoal/Autoprovocada

Fluxo de notificação de violências no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) – Componente Contínuo da Vigilância de Violências e Acidentes (Viva Sinan)

Fonte: BRASIL (2024c)

9.17.63 Zika vírus

9.18 Acesso aos dados

Os dados do SINAN podem ser acessados por diferentes caminhos. A melhor opção depende do agravo, da necessidade de microdados, da atualização desejada e do grau de reprodutibilidade do fluxo.

Formas de acesso aos dados do SINAN
Forma de acesso Indicação de uso
TabNet Tabulações rápidas e consultas agregadas
TabWin/DBC Download e tabulação local de arquivos do DataSUS
R Fluxos reprodutíveis com {microdatasus} quando o agravo estiver disponível
Python Fluxos reprodutíveis com PySUS
OpenDataSUS Bases abertas de alguns agravos, especialmente arboviroses e emergências
PCDaS Uso em ambiente de notebooks e infraestrutura de dados
InfoDengue Monitoramento oportuno de arboviroses com correção de atraso

9.18.1 TabNet

Os dados do SINAN podem ser acessados no sistema TabNet do DataSUS, na seção “Epidemiológicas e Morbidade”.

9.18.2 TabWin e transferência de arquivos

Para uso no TabWin ou em fluxos próprios de processamento, é possível baixar arquivos de dados no formato DBC e arquivos auxiliares para tabulação no serviço de transferência de arquivos do DataSUS.

Em análises reprodutíveis, registre o agravo, prefixo do arquivo, UF, ano, data de acesso e versão do script de leitura. Como os layouts variam por agravo, guarde também o dicionário de dados usado.

9.18.3 R

O pacote {microdatasus} permite baixar e processar alguns microdados do DataSUS em R (SALDANHA; BASTOS; BARCELLOS, 2019).

library(microdatasus)

sinan_raw <- fetch_datasus(
  year_start = 2017,
  year_end = 2017,
  information_system = "SINAN-DENGUE"
)

sinan_p <- process_sinan_dengue(sinan_raw)

sinan_p

9.18.4 Python

A biblioteca PySUS também permite acessar dados do SINAN em fluxos de análise em Python.

9.18.5 OpenDataSUS

O Ministério da Saúde disponibiliza arquivos atualizados no OpenDataSUS para as seguintes notificações:

9.18.6 PCDaS

Algumas bases do SINAN podem ser analisadas em ambientes de notebooks e infraestrutura de dados da Plataforma de Ciência de Dados aplicada à Saúde (PCDaS) (PEDROSO et al., 2023).

9.18.7 InfoDengue

O projeto InfoDengue, mantido pela FGV EMAp e Fiocruz, apresenta estimativas da incidência da Dengue a partir de dados do SINAN, usando técnicas de nowcasting para reduzir os efeitos do atraso de notificação. O acesso aos dados é possível por uma API.

9.19 Relacionamento com outros sistemas

O SINAN é frequentemente combinado com outros sistemas para qualificar desfechos, gravidade, denominadores e rede assistencial.

Integrações frequentes entre SINAN e outros sistemas
Pergunta Fontes combinadas Cuidado principal
O caso notificado evoluiu para óbito? SINAN + SIM (Capítulo 5) Harmonizar identificação, datas e causa
O caso foi internado? SINAN + SIH (Capítulo 7) Definir janela entre notificação e internação
Houve procedimento ambulatorial relacionado? SINAN + SIA (Capítulo 8) Separar produção de caso notificado
Qual taxa de incidência? SINAN + POP (Apêndice D) Usar residência e população compatível
Qual serviço notificou ou acompanhou? SINAN + CNES (Capítulo 10) CNES muda ao longo do tempo
O evento envolve nascimento ou gestação? SINAN + SINASC (Capítulo 6) Definir unidade: mãe, gestação, nascimento ou caso

Em relacionamentos de registros, defina previamente se a unidade final será pessoa, caso, episódio, notificação, internação ou óbito. Essa definição muda regras de pareamento, deduplicação e janelas temporais.

9.20 SINAN e SIVEP

SINAN e SIVEP (Apêndice E) são sistemas de vigilância, mas não devem ser tratados como equivalentes. O SINAN organiza a notificação e investigação de uma ampla lista de doenças e agravos; o SIVEP reúne componentes específicos, como SIVEP-Gripe para SRAG e vigilância de vírus respiratórios, e SIVEP-Malária para malária em áreas e fluxos específicos.

Diferenças práticas entre SINAN e SIVEP
Pergunta Sistema mais provável Cuidado
Casos suspeitos ou confirmados de agravos da lista nacional SINAN Verificar ficha e classificação final
Síndrome Respiratória Aguda Grave SIVEP-Gripe Não substituir por notificações gerais do SINAN
Malária na região amazônica SIVEP-Malária SINAN cobre principalmente região extra-amazônica
Malária extra-amazônica SINAN Confirmar fluxo local e definição vigente
Monitoramento de vírus respiratórios SIVEP-Gripe Unidade e campos diferem do SINAN
Agravos com ficha específica de investigação SINAN Pode exigir acompanhamento ou encerramento

Quando um agravo aparece em mais de um fluxo de vigilância, escolha o sistema a partir da definição operacional do evento, do território e do período. Misturar bases sem harmonização pode duplicar casos ou comparar eventos diferentes.

9.21 Principais usos e indicadores

Os dados do SINAN são usados em indicadores de vigilância, incidência, oportunidade, encerramento, letalidade, positividade, perfil dos casos e monitoramento de surtos.

Exemplos de indicadores construídos com dados do SINAN
Indicador Numerador principal Denominador ou cuidado
Incidência de agravo confirmado Casos confirmados População residente
Taxa de notificação Notificações População residente ou público-alvo
Positividade Confirmados entre notificados encerrados Separar descartados e inconclusivos
Proporção de encerramento oportuno Casos encerrados no prazo Definir prazo por agravo
Letalidade Óbitos entre casos confirmados Confirmar desfecho e vínculo com SIM quando possível
Proporção de confirmação laboratorial Confirmados por critério laboratorial Depende da disponibilidade de testes
Tempo sintomas-notificação Diferença entre datas Avaliar datas inconsistentes

9.22 Limitações

O SINAN é essencial para vigilância, mas seus dados refletem o funcionamento da rede de notificação e investigação. Isso deve ser explicitado na interpretação.

Limitações recorrentes do SINAN
Limitação Consequência analítica
Subnotificação Incidência observada pode ser menor que a real
Atraso de notificação Bases recentes podem estar incompletas
Atraso de encerramento Classificação final pode mudar após extração
Mudança de definição de caso Séries históricas podem ter quebras
Diferenças entre agravos Campos e fluxos não são diretamente comparáveis
Duplicidades Uma pessoa ou episódio pode aparecer mais de uma vez
Mudança de sistema Transição para e-SUS SINAN pode alterar estrutura e oportunidade
Qualidade variável de campos Raça/cor, escolaridade, local provável de infecção e evolução podem ter incompletude

Essas limitações não reduzem a importância do SINAN. Elas indicam que o sistema deve ser analisado como parte de um processo de vigilância, em que suspeita, investigação, confirmação, oportunidade e resposta são tão importantes quanto o número final de casos.

9.22.1 Limitações por uso

Limitações do SINAN por tipo de uso analítico
Uso Principal risco Mitigação
Monitoramento oportuno Atraso de notificação e digitação Usar curvas por data de sintomas e considerar nowcasting
Estimativa de incidência Subnotificação e mudança de sensibilidade Discutir cobertura da vigilância e comparar períodos com cautela
Detecção de surtos Aumento pode refletir busca ativa ou mudança de definição Integrar investigação local e dados laboratoriais
Avaliação de letalidade Óbitos podem estar incompletos no SINAN Relacionar com SIM quando possível
Análise territorial Residência e provável infecção respondem perguntas diferentes Declarar o território usado
Relacionamento individual Identificadores públicos podem ser insuficientes Explicitar limitações de pareamento
Divulgação pública recente Dados podem mudar após encerramento Informar data de extração e status da base

9.23 Cuidados de interpretação

Ao utilizar o SINAN, alguns cuidados são recorrentes:

  • distinguir notificação, caso suspeito, caso confirmado, caso descartado e caso encerrado;
  • usar a definição de caso vigente no período analisado;
  • documentar agravo, ficha, versão do layout e forma de acesso;
  • separar data de sintomas, data de notificação, data de digitação e data de encerramento;
  • escolher residência, provável infecção ou notificação conforme a pergunta;
  • avaliar duplicidades e reinfecções quando a análise for individual;
  • considerar atraso de notificação e encerramento em bases recentes;
  • verificar completitude e consistência de campos essenciais.
Erros frequentes em análises do SINAN
Erro Como evitar
Contar notificações como casos confirmados Filtrar classificação final
Comparar agravos sem considerar fichas diferentes Usar dicionários específicos
Misturar datas Declarar a data usada no indicador
Usar residência para transmissão local sem avaliar provável infecção Analisar autoctonia quando o agravo exigir
Ignorar registros descartados Usá-los para positividade e qualidade da vigilância
Comparar bases recentes e consolidadas diretamente Considerar atraso e atualização

9.24 Checklist final

Antes de concluir uma análise com SINAN, verifique se:

  • o agravo, a ficha e a forma de acesso foram documentados;
  • a unidade de análise foi explicitada;
  • a classificação final usada no numerador foi definida;
  • suspeitos, confirmados, descartados e inconclusivos foram separados;
  • datas e territórios foram escolhidos conforme a pergunta;
  • duplicidades e reinfecções foram avaliadas quando necessário;
  • a completitude dos campos principais foi descrita;
  • atrasos de notificação, digitação e encerramento foram considerados;
  • mudanças de definição de caso ou sistema foram verificadas;
  • os resultados foram interpretados como dados de vigilância, não como ocorrência total sem subnotificação.

9.25 Bibliografia recomendada

9.25.1 Documentos auxiliares

9.25.2 Videos