13  SISAPS - Sistema de Informação da Atenção Primária à Saúde

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13.1 Resumo

Características gerais do SISAPS/Siaps e do SISAB
Característica Descrição
Sistema atual SISAPS/Siaps, em implantação progressiva
Sistema anterior SISAB, instituído em 2013
Área temática Atenção Primária à Saúde (APS)
Fontes de registro Estratégia e-SUS APS, incluindo PEC, CDS e aplicativos
Unidade de análise Equipe, estabelecimento, município, região de saúde, UF, competência e indicador
Periodicidade Mensal, com prazos de envio definidos em calendário da APS
Uso central Gestão, monitoramento, cofinanciamento e avaliação da APS

O Sistema de Informação da Atenção Primária à Saúde (SISAPS), apresentado oficialmente como Siaps, renova o Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB) e organiza informações estratégicas da Atenção Primária à Saúde (APS). O capítulo mantém o identificador @sec-sisab para preservar referências internas do livro, mas o foco passa a ser a transição SISAB-SISAPS.

O SISAPS/Siaps não é um sistema de eventos vitais, internações ou notificações. Ele consolida informações da APS, incluindo cadastros, produção, indicadores, vínculo territorial, acompanhamento de pessoas e subsídios para cofinanciamento federal.

Nota

Terminologia. O nome histórico é SISAB. A plataforma renovada aparece nos materiais oficiais como Siaps, “Sistema de Informação para a Atenção Primária à Saúde”. Neste livro, o título usa SISAPS para explicitar a sigla solicitada e o escopo temático, mas as referências oficiais podem aparecer como Siaps.

13.2 Quando usar o SISAPS

Use o SISAPS/SISAB quando a pergunta envolve organização, produção, acompanhamento e desempenho da APS.

Perguntas comuns que podem ser respondidas com SISAPS/SISAB
Pergunta de análise Usar SISAPS/SISAB para Cuidado principal
Como está a produção da APS? Consultar atendimentos, procedimentos, visitas e atividades coletivas Produção registrada não equivale à necessidade da população
Como acompanhar indicadores de APS? Monitorar indicadores de cofinanciamento e desempenho Verificar regras de cálculo e competência
Qual é a cobertura cadastral? Analisar cadastros e vínculos territoriais Cadastro pode estar desatualizado ou duplicado
Como avaliar equipes? Comparar indicadores por equipe, município ou UF Equipes têm composição, território e contexto diferentes
Como acompanhar pré-natal, vacinas ou condições crônicas na APS? Usar relatórios e indicadores específicos Eventos podem aparecer também em outros sistemas
Como relacionar oferta e produção? Combinar com CNES (Capítulo 10) e SIA (Capítulo 8) Alinhar equipe, estabelecimento, competência e território
Nota

O sistema apoia gestão da APS, mas não substitui prontuário clínico, auditoria de qualidade do cuidado ou inquéritos populacionais. A interpretação deve considerar registro, envio, validação e regras de processamento.

13.3 Histórico e transição

O SISAB foi instituído pela Portaria GM/MS nº 1.412, de 10 de julho de 2013, como sistema oficial da Atenção Básica para fins de financiamento e adesão aos programas e estratégias da Política Nacional de Atenção Básica. Ele substituiu progressivamente o antigo Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB) e passou a ser alimentado pela estratégia e-SUS Atenção Primária à Saúde (e-SUS APS).

A partir de 2016, o envio de informações passou a ocorrer exclusivamente para o SISAB, no contexto da transição do SIAB para o e-SUS APS. O SISAB consolidou relatórios de cadastro, produção, indicadores, saúde e validação, sendo usado para monitoramento de equipes, municípios, estados e regiões de saúde.

Em 2025, o Siaps foi instituído como renovação do SISAB, com implantação incremental. Seu objetivo é modernizar a infraestrutura tecnológica, centralizar dados da APS em um repositório nacional, melhorar a navegação e apoiar o monitoramento de indicadores de cofinanciamento e qualidade. Na prática, análises históricas ainda dependem de compreender o SISAB, enquanto análises recentes devem observar a transição para o SISAPS/Siaps.

13.4 Arquitetura da informação

O SISAPS/Siaps integra informações oriundas da estratégia e-SUS APS. Os registros são produzidos no processo de trabalho das equipes e depois enviados para consolidação nacional.

flowchart TD
  equipe[Equipe de APS] --> registro[Registro no PEC, CDS ou aplicativo]
  registro --> esus[e-SUS APS local]
  esus --> envio[Envio mensal ao repositório nacional]
  envio --> sisaps[SISAPS/Siaps]
  sisaps --> rel[Relatórios e indicadores]
  rel --> gest[Gestão, cofinanciamento e avaliação]
Figura 13.1: Fluxo simplificado de informação da APS
Componentes do fluxo informacional da APS
Componente Papel Cuidado
PEC Registro clínico e administrativo no prontuário eletrônico Depende de implantação local e uso adequado
CDS Coleta simplificada de dados Pode ser usado em cenários com menor informatização
Aplicativos Registro territorial e atividades específicas Conferir integração e competência de envio
e-SUS APS Estratégia de registro e envio da APS Atrasos e inconsistências afetam indicadores
SISAPS/Siaps Consolidação, relatórios e indicadores Resultado depende das regras de processamento

13.5 Unidade de análise

A unidade de análise varia conforme o relatório ou indicador. Antes de comparar resultados, defina se a pergunta é sobre pessoas cadastradas, atendimentos, procedimentos, equipes, estabelecimentos, municípios ou indicadores.

Unidades de análise frequentes no SISAPS/SISAB
Unidade O que representa Quando usar Cuidado
Pessoa cadastrada Usuário vinculado ao território/equipe Cobertura cadastral e acompanhamento Cadastro não equivale a uso efetivo
Atendimento Contato individual registrado Produção assistencial da APS Um usuário pode ter vários atendimentos
Procedimento Ação ou procedimento registrado Volume de ações realizadas Pode depender de regra local de registro
Visita domiciliar Atividade no domicílio ou território Acompanhamento territorial Não mede qualidade da visita
Atividade coletiva Ação coletiva registrada Promoção, prevenção e educação em saúde Público-alvo e tema devem ser considerados
Equipe eSF, eAP, eSB ou outras equipes Monitoramento e cofinanciamento Equipes podem mudar composição e credenciamento
Município/UF Agregação territorial Comparações e gestão Diferenças de porte e rede afetam interpretação
Aviso

Não some cadastros, atendimentos, procedimentos e indicadores como se fossem a mesma unidade. Cada relatório responde a uma pergunta diferente.

13.6 Identificadores de equipe

Análises da APS dependem de identificadores que mudam no tempo. O código CNES identifica o estabelecimento, enquanto o INE identifica a equipe. Uma mesma unidade pode ter várias equipes, e uma equipe pode passar por mudanças de composição, credenciamento, suspensão ou desativação.

Identificadores essenciais para análises da APS
Identificador O que representa Uso Cuidado
CNES Estabelecimento de saúde Relacionar APS com estrutura da rede Unidade pode mudar de tipo, gestão ou vínculo
INE Identificador Nacional de Equipe Acompanhar produção, cadastro e indicadores por equipe Equipe pode mudar situação, composição ou estabelecimento
Tipo de equipe eSF, eAP, eSB e outras modalidades Estratificar comparações Tipos de equipe têm atribuições e parâmetros diferentes
Competência Mês de referência Construir séries temporais CNES, INE e regras podem mudar entre competências
Território Área adscrita, município, região ou UF Analisar vínculo e cobertura Território de acompanhamento não é sempre território de residência
library(dplyr)

historico_equipes <- sisaps_equipes |>
  group_by(ine) |>
  summarise(
    primeira_competencia = min(competencia, na.rm = TRUE),
    ultima_competencia = max(competencia, na.rm = TRUE),
    n_cnes = n_distinct(cnes, na.rm = TRUE),
    n_tipos = n_distinct(tipo_equipe, na.rm = TRUE),
    .groups = "drop"
  )

historico_equipes
Dica

Para comparar equipes, monte primeiro um painel por INE, CNES, tipo de equipe e competência. Isso evita atribuir produção ou indicadores a equipes que mudaram de situação ao longo da série.

13.7 Estrutura dos dados e relatórios

O SISAB organizava relatórios públicos e gerenciais que continuam sendo referência para compreender a transição para o SISAPS/Siaps. A nova plataforma tende a reorganizar a experiência de consulta, mas as principais dimensões analíticas permanecem relacionadas a cadastro, produção, indicadores e validação.

Dimensões analíticas comuns na APS
Dimensão Exemplos Uso analítico
Cadastro Pessoas, domicílios, famílias, vínculo territorial Cobertura cadastral e população acompanhada
Produção Atendimentos individuais, odontológicos, procedimentos, visitas Volume e perfil de ações da APS
Atividades coletivas Reuniões, ações educativas, PSE, grupos Promoção e prevenção em saúde
Pré-natal Consultas, acompanhamento, exames e indicadores Monitoramento do cuidado materno-infantil
Vacinas Registros enviados pela APS quando aplicável Acompanhar registros integrados ao e-SUS APS
Indicadores Cofinanciamento, vínculo e acompanhamento territorial Monitoramento e repasses federais
Validação Inconsistências, processamento e envio Qualidade dos dados enviados

13.7.1 Campos e dimensões mínimas

Dimensões mínimas para análise de dados da APS
Dimensão Pergunta de controle
Competência O mês de registro e envio corresponde ao período analisado?
Território O município, UF, região ou equipe está correto?
Tipo de equipe A equipe é eSF, eAP, eSB ou outro tipo?
Identificador de estabelecimento O CNES está válido e compatível com a equipe?
Indicador A regra de cálculo foi documentada?
Denominador População cadastrada, vinculada, estimada ou acompanhada?
Status de envio O dado foi enviado, processado e validado?

13.7.2 Qual denominador usar?

Indicadores da APS podem usar denominadores diferentes. A escolha do denominador muda a interpretação do resultado.

Denominadores frequentes em análises da APS
Denominador O que mede Quando usar Cuidado
População cadastrada Pessoas registradas no território/equipe Cobertura cadastral e organização territorial Pode haver cadastro duplicado ou desatualizado
População vinculada Pessoas atribuídas a uma equipe ou território Vínculo territorial e cofinanciamento Depende das regras vigentes de vinculação
População residente Pessoas residentes no município ou área Comparação populacional ampla Usar POP (Apêndice D) e ano compatível
População esperada Estimativa para grupo-alvo do indicador Indicadores de desempenho Método de estimativa deve ser documentado
Usuários atendidos Pessoas com atendimento registrado Uso registrado da APS Não representa toda a população que precisa de cuidado
Eventos ou registros Atendimentos, visitas, procedimentos Produção e processo de trabalho Um usuário pode gerar múltiplos registros

13.8 Indicadores e cofinanciamento

O uso do SISAPS/Siaps para cofinanciamento exige cuidado com regras de cálculo, competência, prazo de envio e composição dos denominadores. Mudanças normativas podem alterar indicadores e dificultar comparações entre períodos.

Elementos de indicadores de cofinanciamento da APS
Elemento Interpretação Cuidado
Indicador de desempenho Medida sintética de processo ou acompanhamento Regras podem mudar entre ciclos
Vínculo territorial Relação entre pessoa, equipe e território Cadastro duplicado ou desatualizado afeta denominador
Acompanhamento Registro de cuidado ou seguimento Ausência de registro não é ausência de cuidado
Cofinanciamento Uso de indicadores para repasses Não interpretar apenas como avaliação assistencial
Prazo de envio Data-limite para transmissão da competência Atrasos podem afetar cálculo e repasses
Nota

Indicadores de cofinanciamento são indicadores administrativos e de monitoramento. Eles podem apoiar avaliação da APS, mas precisam ser interpretados junto com contexto local, capacidade de registro, composição da equipe e perfil da população.

13.9 Vínculo territorial

O vínculo territorial organiza a relação entre pessoas, equipes e território adscrito. Ele é central para interpretar cobertura, acompanhamento e cofinanciamento, mas depende de cadastro atualizado e regras de vinculação.

Elementos do vínculo territorial na APS
Elemento Interpretação Cuidado
Pessoa cadastrada Indivíduo registrado na base da APS Pode estar desatualizado ou duplicado
Equipe vinculada Equipe responsável pelo acompanhamento Mudanças de equipe alteram séries
Território Área de responsabilidade sanitária Pode não coincidir com limites administrativos
Acompanhamento Registro de cuidado realizado pela equipe Ausência de registro não prova ausência de cuidado
Indicador Medida calculada a partir de numerador e denominador Denominador precisa ser explicitado
library(dplyr)

vinculo_territorial <- sisaps_cadastro |>
  group_by(codmun, ine, competencia) |>
  summarise(
    pessoas_cadastradas = n_distinct(id_pessoa),
    pessoas_vinculadas = sum(vinculo_valido == TRUE, na.rm = TRUE),
    proporcao_vinculada = pessoas_vinculadas / pessoas_cadastradas,
    .groups = "drop"
  )

vinculo_territorial

13.10 Calendário de envio

Os dados da APS são organizados por competência mensal. Para fins de monitoramento e cofinanciamento, o envio precisa respeitar o calendário oficial. Atrasos podem reduzir temporariamente indicadores, gerar lacunas em relatórios e alterar resultados quando a base é reprocessada.

Etapas temporais do envio de dados da APS
Etapa Interpretação Cuidado
Registro Informação lançada no PEC, CDS ou aplicativo Depende do processo local de trabalho
Fechamento da competência Encerramento do mês de referência Registros tardios podem ficar para outra competência
Envio Transmissão para a base nacional Verificar prazo oficial do mês
Processamento Críticas, validações e consolidação Registros podem ser rejeitados ou reprocessados
Relatório Disponibilização de dados agregados Registrar data de extração
Aviso

Quando um indicador cai em uma competência recente, investigue primeiro atraso de envio, processamento e validação. A queda pode ser informacional, não assistencial.

13.11 Exemplo: pré-natal na APS

O acompanhamento pré-natal é um exemplo útil porque envolve cadastro, atendimento, registro oportuno e possível relacionamento com SINASC (Capítulo 6). A pergunta deve definir se o foco é produção registrada, cobertura do acompanhamento ou desfecho materno-infantil.

Componentes de uma análise de pré-natal na APS
Elemento Fonte principal Cuidado
Gestantes acompanhadas SISAPS/SISAB Depende de cadastro e registro correto
Consultas de pré-natal SISAPS/SISAB Mede registro de atendimento na APS
Nascidos vivos SINASC (Capítulo 6) Mede ocorrência de nascimento, não acompanhamento na APS
Território Município, equipe ou residência Evitar misturar local de atendimento e residência
Tempo Competência de atendimento e data de nascimento Definir janela de acompanhamento
library(dplyr)

prenatal_aps <- sisaps_indicadores |>
  filter(indicador == "pre_natal", competencia >= "2025-01") |>
  group_by(codmun, competencia) |>
  summarise(
    gestantes_acompanhadas = sum(numerador, na.rm = TRUE),
    gestantes_esperadas = sum(denominador, na.rm = TRUE),
    proporcao = gestantes_acompanhadas / gestantes_esperadas,
    .groups = "drop"
  )

prenatal_aps

13.12 Exemplo: SISAPS + SINASC

O relacionamento entre indicadores de pré-natal da APS e desfechos do SINASC pode ser feito de forma agregada, por município e ano, para análises ecológicas. Essa abordagem não acompanha gestantes individualmente; ela compara indicadores territoriais.

Exemplo de integração ecológica entre APS e SINASC
Elemento Fonte Cuidado
Indicador de pré-natal APS SISAPS/SISAB Mede acompanhamento registrado na APS
Nascidos vivos SINASC (Capítulo 6) Mede nascimentos ocorridos ou residentes, conforme campo usado
Baixo peso ao nascer SINASC (Capítulo 6) Desfecho multifatorial, não atribuível apenas à APS
Território Município de residência Manter o mesmo recorte nas duas bases
Tempo Ano ou janela de competência Alinhar gestação, atendimento e nascimento
library(dplyr)

prenatal_mun_ano <- prenatal_aps |>
  mutate(ano = substr(competencia, 1, 4)) |>
  group_by(codmun, ano) |>
  summarise(
    cobertura_prenatal_aps = weighted.mean(proporcao, gestantes_esperadas, na.rm = TRUE),
    .groups = "drop"
  )

baixo_peso <- sinasc |>
  group_by(CODMUNRES, ano = as.character(ano_nascimento)) |>
  summarise(
    nascidos_vivos = n(),
    baixo_peso = sum(peso < 2500, na.rm = TRUE),
    proporcao_baixo_peso = baixo_peso / nascidos_vivos,
    .groups = "drop"
  )

aps_sinasc <- prenatal_mun_ano |>
  left_join(baixo_peso, by = c("codmun" = "CODMUNRES", "ano"))

aps_sinasc
Nota

Esse exemplo é ecológico. Relações observadas no município não devem ser interpretadas como efeito individual do acompanhamento pré-natal sem desenho analítico apropriado.

13.13 Exemplo: produção da APS

Produção da APS deve ser lida como registro de atividades realizadas por equipes e profissionais. Ela é útil para gestão do processo de trabalho, mas não deve ser interpretada isoladamente como medida de necessidade, acesso ou qualidade.

library(dplyr)

producao_municipal <- sisaps_producao |>
  group_by(codmun, competencia, tipo_producao) |>
  summarise(
    registros = sum(quantidade, na.rm = TRUE),
    equipes = n_distinct(ine),
    registros_por_equipe = registros / equipes,
    .groups = "drop"
  )

producao_municipal
Aviso

Produção por equipe pode variar por perfil populacional, tamanho da equipe, informatização, disponibilidade de profissionais, agenda local e qualidade do envio. Compare equipes semelhantes e sempre verifique denominadores.

13.14 Exemplo: SISAPS + CNES

A integração com o CNES ajuda a validar se equipes e estabelecimentos existem na competência analisada, além de caracterizar a estrutura da rede da APS.

Validações entre SISAPS/SISAB e CNES
Checagem Fonte Cuidado
CNES da equipe existe? SISAPS + CNES (Capítulo 10) Relacionar pela mesma competência ou competência de referência
Tipo de estabelecimento é compatível? CNES ST UBS, posto, centro de saúde e outros tipos devem ser interpretados
Equipe está ativa? SISAPS e CNES EP quando disponível Situação pode mudar no mês
Produção tem equipe identificada? SISAPS/SISAB Registros sem INE prejudicam avaliação por equipe
Município do CNES é compatível? CNES Conferir mudança territorial ou erro cadastral
library(dplyr)

equipes_cnes <- sisaps_equipes |>
  filter(competencia == "2026-01") |>
  left_join(
    cnes_st |> filter(competencia == "2026-01"),
    by = c("cnes" = "CNES")
  ) |>
  mutate(cnes_encontrado = !is.na(TP_UNID))

equipes_cnes

13.15 Qualidade dos dados

A qualidade dos dados da APS depende do registro no ponto de cuidado, da consistência do cadastro, da integração do e-SUS APS, do envio dentro do prazo e das regras de validação do sistema nacional.

Dimensões de qualidade relevantes no SISAPS/SISAB
Dimensão Checagem
Oportunidade Dados enviados dentro do prazo da competência
Completitude Campos essenciais preenchidos
Consistência cadastral Pessoa, domicílio, equipe, território e CNES compatíveis
Duplicidade Cadastros ou registros repetidos
Denominador População cadastrada, vinculada ou estimada corretamente definida
Vínculo de equipe INE e CNES válidos no período
Mudança normativa Regras de indicadores comparáveis entre competências
Processamento Registros enviados foram processados e aceitos
library(dplyr)

validacao_aps <- sisaps_indicadores |>
  group_by(codmun, competencia) |>
  summarise(
    indicadores = n_distinct(indicador),
    denominadores_zerados = sum(denominador == 0, na.rm = TRUE),
    registros_sem_equipe = sum(is.na(ine) | ine == "", na.rm = TRUE),
    .groups = "drop"
  )

validacao_aps

13.16 Privacidade e agregação

Dados da APS envolvem informações clínicas, territoriais e pessoais. Por isso, o acesso público ocorre principalmente por relatórios agregados. A indisponibilidade de microdados identificáveis publicamente protege a privacidade, mas limita análises individuais, auditorias externas detalhadas e pareamentos diretos com outros sistemas.

Implicações de privacidade e agregação na APS
Aspecto Implicação
Dados pessoais e clínicos Exigem proteção, controle de acesso e finalidade definida
Relatórios agregados Favorecem transparência sem expor pessoas
Linkage individual Depende de autorização, governança e base legal
Reprodutibilidade Deve registrar relatório, filtros, data de extração e versão
Pequenos números Podem exigir supressão ou agregação adicional

13.17 Análise temporal e territorial

Séries temporais do SISAPS/SISAB exigem atenção à transição SIAB-SISAB-SISAPS, mudanças de indicadores, mudanças de financiamento, prazos de envio e reorganização de equipes.

Cuidados em análises temporais e territoriais da APS
Comparação Recomendação Cuidado
Antes e depois da transição Separar períodos SIAB, SISAB e SISAPS Quebras tecnológicas podem parecer mudança assistencial
Entre municípios Padronizar por população, equipe ou cadastro Municípios têm porte e rede muito diferentes
Entre equipes Comparar equipes do mesmo tipo eSF, eAP e eSB têm atribuições diferentes
Entre competências Verificar calendário de envio Atrasos podem reduzir indicadores temporariamente
Entre indicadores Conferir regra de cálculo Numeradores e denominadores podem mudar

13.18 Acesso aos dados

O acesso é realizado principalmente por relatórios e painéis públicos ou restritos, conforme perfil de usuário e finalidade. O acesso a microdados identificáveis não é disponibilizado publicamente, pois os registros da APS envolvem dados pessoais e clínicos protegidos pela LGPD.

Formas de acesso a informações da APS
Forma de acesso Indicação de uso
Relatórios públicos Consulta de indicadores e produção agregada
Área de gestores Monitoramento municipal, estadual e federal
SISAB Consulta histórica e relatórios da APS
SISAPS/Siaps Plataforma renovada para gestão da informação da APS
e-Gestor APS Acesso a sistemas e relatórios de gestão
Documentação oficial Regras, calendários, manuais e modelos de informação

13.19 Relacionamento com outros sistemas

O SISAPS/SISAB pode ser combinado com sistemas de oferta, produção, eventos e população. O ponto crítico é distinguir território de residência, território de acompanhamento, estabelecimento, equipe e local do evento.

Integrações frequentes entre SISAPS/SISAB e outros sistemas
Pergunta Fontes combinadas Cuidado principal
Oferta da APS acompanha produção? SISAPS/SISAB + CNES (Capítulo 10) Equipes e estabelecimentos devem ser compatíveis por competência
APS reduz internações evitáveis? SISAPS/SISAB + SIH (Capítulo 7) Evitar inferência causal simples com dados agregados
Pré-natal se relaciona a desfechos de nascimento? SISAPS/SISAB + SINASC (Capítulo 6) Relacionamento direto exige regras de privacidade e linkage
Acompanhamento de agravos aparece na vigilância? SISAPS/SISAB + SINAN (Capítulo 9) Notificação e cuidado são processos diferentes
Produção ambulatorial é coerente? SISAPS/SISAB + SIA (Capítulo 8) Produção da APS e faturamento/procedimentos têm escopos distintos
Cobertura por população SISAPS/SISAB + POP (Apêndice D) População cadastrada e população residente são denominadores diferentes

13.19.1 Checklist para integração

Antes de combinar SISAPS/SISAB com outra base, defina claramente a unidade territorial, a competência e o denominador.

Verificações antes de integrar dados da APS com outros sistemas
Checagem Por que importa
Competência compatível APS é mensal; outros sistemas podem ser por evento, ano ou competência de produção
Território definido Residência, acompanhamento, ocorrência e localização podem divergir
INE e CNES válidos Equipe e estabelecimento precisam existir na competência
Denominador explícito Cadastro, vínculo, residência e usuários atendidos medem populações diferentes
Regras de indicador versionadas Indicadores de cofinanciamento podem mudar
Privacidade respeitada Linkage individual exige governança própria

13.20 Limitações

Limitações recorrentes do SISAPS/SISAB
Limitação Consequência analítica
Transição de sistema Séries podem ter quebras entre SISAB e SISAPS
Dados dependem do registro local Sub-registro e atraso de envio afetam indicadores
Relatórios agregados Microdados identificáveis não estão disponíveis publicamente
Denominadores variáveis População cadastrada, vinculada e residente têm significados distintos
Indicadores mudam com regras de cofinanciamento Comparações históricas exigem versionamento
Produção não é necessidade Baixa produção pode refletir sub-registro, acesso reduzido ou menor demanda
Equipes não são homogêneas Composição, carga horária e território variam
Calendário de envio afeta resultados Competências recentes podem estar incompletas
Linkage individual é restrito Privacidade limita pareamentos públicos entre bases

13.21 Cuidados de interpretação

Ao utilizar SISAPS/SISAB, alguns cuidados são recorrentes:

  • documentar se a análise usa SISAB, SISAPS/Siaps ou período de transição;
  • definir a unidade de análise antes de baixar ou consultar relatórios;
  • verificar competência, prazo de envio e processamento;
  • distinguir população cadastrada, vinculada, acompanhada e residente;
  • comparar equipes do mesmo tipo e com contexto semelhante;
  • conferir regras de cálculo dos indicadores;
  • verificar INE, CNES e situação da equipe na competência;
  • registrar relatório, filtros e data de extração;
  • não interpretar produção registrada como necessidade ou qualidade;
  • combinar com CNES, POP, SIH, SIA, SINAN ou SINASC apenas com território e período compatíveis.
Erros frequentes em análises da APS
Erro Como evitar
Comparar SISAB e SISAPS como série homogênea Marcar a transição e verificar mudanças de regra
Usar população cadastrada como população residente Declarar o denominador e, quando necessário, usar POP
Tratar ausência de produção como ausência de cuidado Verificar envio, processamento e sub-registro
Comparar equipes diferentes sem ajuste Estratificar por tipo de equipe e contexto
Interpretar indicador de cofinanciamento como avaliação completa Complementar com contexto, oferta, produção e resultados
Usar competência recente sem checar calendário Conferir prazo de envio e processamento
Fazer linkage individual sem governança Usar apenas bases autorizadas e regras de privacidade

13.22 Checklist de reprodutibilidade

Uma extração de dados da APS deve permitir que outra pessoa entenda exatamente qual relatório foi usado e como os resultados foram obtidos.

Itens mínimos para reprodutibilidade em análises do SISAPS/SISAB
Item Registrar
Plataforma SISAB, SISAPS/Siaps, e-Gestor APS ou outro acesso
Data de extração Dia em que o relatório foi consultado ou baixado
Relatório Nome do relatório, painel ou indicador
Competência Mês, ano e se o dado é acumulado
Território Município, UF, região, equipe ou estabelecimento
Tipo de equipe eSF, eAP, eSB ou outra modalidade
Identificadores INE, CNES ou agregação utilizada
Indicador Nome, versão e regra de cálculo
Numerador Evento, registro ou população usada
Denominador População cadastrada, vinculada, residente, esperada ou atendida
Filtros Sexo, idade, equipe, condição, programa ou categoria
Tratamento de ausentes Como atrasos, não processados e zeros foram tratados

13.23 Checklist final

Antes de concluir uma análise com SISAPS/SISAB, verifique se:

  • o sistema e o período foram definidos;
  • a transição SISAB-SISAPS foi considerada;
  • a competência e o prazo de envio foram conferidos;
  • a unidade de análise foi declarada;
  • o denominador do indicador foi documentado;
  • tipo de equipe, INE e CNES foram verificados quando usados;
  • regras de cálculo e versão do indicador foram registradas;
  • o calendário de envio e a data de extração foram considerados;
  • dados ausentes, atrasados ou não processados foram separados;
  • comparações territoriais usaram população ou cadastro compatível;
  • requisitos de privacidade foram observados;
  • a extração foi documentada de forma reprodutível;
  • limitações de registro, agregação e privacidade foram discutidas.

13.24 Bibliografia recomendada

13.24.1 Documentos oficiais

13.24.2 Artigos

  • Artigo Atenção Básica e Informação: análise do Sistema de Informação em Saúde para Atenção Básica (SISAB) e estratégia e-SUS AB e suas repercussões para uma gestão da saúde com transparência.[trabalho de conclusão de curso] (SOARES, 2016). Disponível aqui.

13.24.3 Vídeos