11  SISCAN — Sistema de Informação do Câncer

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11.1 Resumo

Quadro 11.1: Características gerais do SISCAN
Característica Descrição
Ano de instituição 2013
Sistemas antecessores SISCOLO e SISMAMA
Eventos registrados Solicitações, exames citopatológicos e histopatológicos do colo do útero, mamografias, resultados e seguimento
Unidade de análise Requisição, exame, laudo, pessoa, estabelecimento e competência
Cobertura Serviços que realizam ações de detecção precoce e confirmação diagnóstica no âmbito do SUS
Alimentação Registro nominal em ambiente web por unidades solicitantes, prestadores e laboratórios
Uso central Monitoramento do rastreamento, do diagnóstico, da qualidade dos exames e do seguimento de resultados alterados

O Sistema de Informação do Câncer (SISCAN) organiza dados das ações de detecção precoce dos cânceres do colo do útero e de mama realizadas no Sistema Único de Saúde (SUS). O sistema acompanha a solicitação, a realização e o resultado de exames, além de apoiar o seguimento de pessoas com achados alterados e o monitoramento da qualidade dos serviços (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2013; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2021).

O SISCAN não é um registro populacional de câncer e não mede, isoladamente, a incidência ou a prevalência de todos os tipos de câncer. Sua cobertura e sua unidade de registro refletem processos assistenciais específicos. Para responder a perguntas sobre tratamento oncológico, internações, óbitos ou ocorrência populacional, é necessário combiná-lo com outras fontes.

11.2 Quando usar o SISCAN

Use o SISCAN quando a pergunta envolve rastreamento, investigação diagnóstica, resultados de exames do colo do útero e da mama, qualidade dos exames ou seguimento de resultados alterados na rede vinculada ao SUS.

Quadro 11.2: Perguntas comuns e fontes adequadas
Pergunta Fonte principal Cuidado de interpretação
Quantas mamografias foram realizadas? SISCAN ou SIA/SUS SISCAN acrescenta indicação e resultado; SIA/SUS é a referência para produção faturada
Qual a proporção de exames de rastreamento por faixa etária? SISCAN Distinguir rastreamento de investigação diagnóstica
Quais foram os resultados citopatológicos? SISCAN Verificar adequabilidade, nomenclatura e período
Pessoas com resultado alterado foram acompanhadas? SISCAN Registro de seguimento incompleto não comprova ausência de cuidado
Quanto tempo transcorreu entre diagnóstico e primeiro tratamento? Painel Oncologia Confirmar as fontes e as datas usadas pelo painel
Qual a incidência de câncer no território? Registros de câncer SISCAN não substitui registro populacional ou hospitalar de câncer

O Quadro 11.2 mostra que a escolha da fonte depende do evento e da unidade de análise. Para produção ambulatorial e faturamento, o SIA/SUS costuma ser mais abrangente; para indicação clínica, resultado e seguimento, o SISCAN oferece variáveis mais específicas.

AvisoAtenção

Uma linha no SISCAN representa um registro do processo de cuidado, não necessariamente uma pessoa única. A mesma pessoa pode realizar vários exames, ter mais de uma requisição e aparecer em diferentes competências.

11.3 SISCAN, SISCOLO e SISMAMA

O Sistema de Informação do Câncer do Colo do Útero (SISCOLO) foi instituído em 1999 para apoiar o acompanhamento das ações de prevenção, detecção e controle desse câncer. O Sistema de Informação do Controle do Câncer de Mama (SISMAMA), implantado nacionalmente em 2009, passou a registrar mamografias e exames relacionados à investigação do câncer de mama (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. DATASUS, 2026a; INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2025a, 2025b).

Em 2013, a Portaria GM/MS nº 3.394 instituiu o SISCAN, sistema nominal e integrado destinado a substituir gradualmente o SISCOLO e o SISMAMA. A mudança reuniu os dois componentes em ambiente web, incorporou identificação pelo Cartão Nacional de Saúde (CNS), utilizou dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e ampliou as possibilidades de acompanhamento longitudinal (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2013; BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. DATASUS, 2026b).

Quadro 11.3: Comparação entre SISCOLO, SISMAMA e SISCAN
Sistema Início Escopo principal Organização dos dados Situação para séries históricas
SISCOLO 1999 Exames citopatológicos e histopatológicos do colo do útero Aplicação específica, com consolidação periódica Necessário para períodos anteriores à implantação do SISCAN
SISMAMA 2009 Mamografias e investigação diagnóstica da mama Aplicação específica, com consolidação periódica Necessário para períodos anteriores à implantação do SISCAN
SISCAN 2013 Colo do útero e mama, com solicitação, resultado, qualidade e seguimento Sistema nominal, integrado e em ambiente web Fonte corrente, cuja implantação foi gradual entre os territórios

A existência do SISCAN não torna dispensáveis as bases históricas. Séries que atravessam a transição precisam avaliar conjuntamente SISCOLO, SISMAMA, SISCAN e SIA/SUS, pois a migração foi gradual e ocorreu com ritmos diferentes entre unidades federativas, municípios e prestadores (TOMAZELLI; RIBEIRO; DIAS, 2022).

11.4 Fluxo de informação

O fluxo começa na unidade de saúde, que identifica a pessoa e registra a solicitação do exame. A unidade prestadora ou o laboratório recebe a requisição, realiza o procedimento e informa o laudo. O resultado retorna à unidade solicitante e alimenta ações de seguimento, avaliação da qualidade e gestão. Parte da informação também subsidia o faturamento ambulatorial.

flowchart LR
  usu[Pessoa atendida] --> sol[Unidade solicitante]
  sol --> req[Requisição no SISCAN]
  req --> pres[Laboratório ou unidade de mamografia]
  pres --> lau[Exame e laudo]
  lau --> sis[SISCAN]
  sis --> ret[Resultado e seguimento]
  sis --> bpa[BPA individualizado]
  bpa --> sia[SIA/SUS]
  sis --> pai[Painel Oncologia]
  sia --> pai
  sih[SIH/SUS] --> pai
Figura 11.1: Fluxo simplificado de informação do SISCAN e do Painel Oncologia
Quadro 11.4: Atores e responsabilidades no fluxo do SISCAN
Ator Responsabilidade informacional Ponto de atenção
Unidade solicitante Identificar a pessoa, registrar a indicação e solicitar o exame Qualidade da identificação e da indicação clínica
Laboratório ou unidade de mamografia Registrar recebimento, realização, laudo e liberação do resultado Oportunidade, padronização e completitude do laudo
Coordenação municipal Acompanhar fluxos, resultados alterados e prestadores Conferir cobertura e atrasos de digitação
Coordenação estadual Monitorar implantação, qualidade e desempenho regional Comparar territórios com capacidades distintas
Ministério da Saúde e INCA Definir padrões, consolidar informações e apoiar monitoramento nacional Mudanças de versão, regras e disseminação

O Quadro 11.4 evidencia que a qualidade final depende de diferentes pontos da rede. Erros cadastrais na solicitação, atrasos no prestador ou ausência de atualização do seguimento produzem limitações distintas e devem ser tratados separadamente.

11.5 O que o SISCAN registra

O SISCAN reúne quatro grandes grupos de informação: identificação e contexto da solicitação; características do exame; resultado ou laudo; e seguimento. Os campos variam conforme o procedimento e o órgão investigado.

Quadro 11.5: Principais componentes do registro no SISCAN
Componente Exemplos de informações Uso analítico
Identificação CNS, idade, sexo, residência e unidade solicitante Deduplicação, perfil demográfico e análise territorial
Solicitação Data, motivo, indicação clínica e exame anterior Avaliação do acesso e adequação do rastreamento
Colo do útero Citopatologia, histopatologia, adequabilidade e resultado Distribuição de achados e qualidade diagnóstica
Mama Mamografia, categoria de resultado e informações clínicas Rastreamento, investigação e encaminhamento
Estabelecimento Unidade solicitante, prestador e laboratório Análise de rede, produção e desempenho
Tempo Solicitação, realização, liberação do laudo e seguimento Medidas de oportunidade e intervalos assistenciais
Seguimento Conduta e acompanhamento de resultados alterados Continuidade do cuidado e perdas de acompanhamento

11.5.1 Exames do colo do útero

Os registros de citopatologia e histopatologia permitem estudar adequabilidade da amostra, resultados, alterações celulares e confirmação diagnóstica. A nomenclatura e as categorias devem ser conferidas no manual e no dicionário correspondentes ao período analisado. Uma contagem de exames não deve ser automaticamente interpretada como número de mulheres examinadas.

11.5.2 Exames da mama

Os registros de mamografia incluem a indicação do exame e categorias padronizadas de resultado. Essa distinção permite separar mamografias de rastreamento das realizadas para investigação diagnóstica. Exames histopatológicos podem complementar a análise da confirmação diagnóstica, mas o percurso assistencial completo exige outras fontes.

11.5.3 Qualidade dos exames

O sistema oferece informações para o Monitoramento Interno da Qualidade (MIQ) e o Monitoramento Externo da Qualidade (MEQ) dos exames citopatológicos. Essas atividades avaliam processos e resultados laboratoriais e não devem ser reduzidas à simples comparação de volume entre estabelecimentos (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2021).

11.6 Unidade de análise

A unidade de análise precisa ser declarada antes do cálculo. O SISCAN pode ser lido como base de exames, requisições, laudos, pessoas, estabelecimentos ou competências, mas cada perspectiva demanda regras próprias.

Quadro 11.6: Unidades de análise e riscos de contagem
Unidade Exemplo de medida Risco frequente
Exame Número de mamografias realizadas Interpretar exames como pessoas
Requisição Solicitações registradas Ignorar cancelamentos ou repetições
Laudo Resultados liberados Misturar laudos preliminares e finais
Pessoa Pessoas examinadas no período Não deduplicar CNS ou identificadores inconsistentes
Estabelecimento Produção por prestador Atribuir produção ao município de residência
Competência Volume mensal registrado Confundir competência de processamento com data clínica

Para contar pessoas, é necessário estabelecer uma janela temporal e um critério de identificação. Para medir produção, a unidade é o procedimento ou exame. Para analisar acesso territorial, município de residência, município da unidade solicitante e município do prestador respondem a perguntas diferentes.

11.7 Rastreamento, diagnóstico e seguimento

Rastreamento é a aplicação sistemática de exames em população assintomática definida por critérios de idade e periodicidade. Investigação diagnóstica ocorre diante de sinais, sintomas ou achados anteriores. Misturar as duas indicações altera denominadores, positividade esperada e avaliação de desempenho.

O seguimento começa quando um resultado exige nova investigação, confirmação diagnóstica ou tratamento. O SISCAN pode apoiar sua gestão, mas ausência de atualização no módulo não significa necessariamente que a pessoa não tenha recebido cuidado. O atendimento pode ter ocorrido sem registro, em outro serviço, em outra fonte de dados ou fora do SUS.

DicaInterpretação

Ao avaliar cobertura de rastreamento, use como numerador exames de rastreamento realizados na população-alvo e como denominador uma estimativa populacional compatível. Informe se o indicador representa exames ou pessoas examinadas.

11.8 Integração com SIA/SUS, CNES e CadSUS

O SISCAN utiliza o Sistema de Cadastramento de Usuários do SUS (CadSUS) para identificação nominal e o CNES para caracterizar unidades solicitantes e prestadores. Essa integração reduz redigitação, apoia o acompanhamento da pessoa e permite relacionar produção, território e capacidade instalada.

O sistema também gera o Boletim de Produção Ambulatorial Individualizado (BPA-I) para procedimentos compatíveis, que segue para processamento no SIA/SUS. As bases, porém, não são equivalentes. O SISCAN reúne dados clínicos e de resultado; o SIA/SUS registra procedimentos apresentados e processados para fins administrativos. Diferenças de implantação, envio e crítica podem fazer com que os totais não coincidam (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2013; TOMAZELLI; RIBEIRO; DIAS, 2022).

Quadro 11.7: Comparação entre SISCAN e SIA/SUS
Dimensão SISCAN SIA/SUS
Finalidade predominante Detecção precoce, diagnóstico, qualidade e seguimento Produção e processamento ambulatorial
Unidade típica Requisição, exame e laudo nominal Procedimento apresentado ou aprovado
Conteúdo clínico Indicação e resultado detalhados Procedimento, quantidade, valor e dados administrativos
Melhor uso Perfil dos exames, resultados e percurso inicial Séries de produção, financiamento e oferta ambulatorial
Limitação comparativa Implantação e completitude variáveis Menor detalhamento do resultado clínico

11.9 Painel Oncologia

O Painel Oncologia é uma ferramenta de monitoramento do intervalo entre diagnóstico e primeiro tratamento do câncer no SUS. Ele foi desenvolvido para apoiar a gestão e o acompanhamento da Lei nº 12.732/2012, que estabeleceu prazo para o início do primeiro tratamento de neoplasia maligna comprovada (BRASIL, 2012; BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2026).

O painel não é um módulo isolado do SISCAN. Ele integra registros do SIA/SUS — incluindo BPA-I e Autorizações de Procedimentos Ambulatoriais de Alta Complexidade (APAC) —, do SIH/SUS e do SISCAN. A construção dos casos utiliza relacionamento determinístico, principalmente com base no CNS e no diagnóstico, para localizar a data diagnóstica e o primeiro procedimento de tratamento (ATTY; JARDIM; DIAS, 2020).

Quadro 11.8: Possibilidades e limites do Painel Oncologia
O painel permite O painel não permite, sozinho
Descrever casos com diagnóstico e primeiro tratamento identificados Estimar incidência populacional de câncer
Calcular intervalos entre as datas registradas Reconstruir toda a trajetória assistencial
Estratificar informações por território, diagnóstico e período Captar atendimento não informado nas fontes integradas
Identificar atrasos e desigualdades no início do tratamento Atribuir causalidade aos atrasos observados
Apoiar monitoramento da oportunidade do cuidado Avaliar qualidade ou resultado clínico do tratamento

O intervalo exibido depende de duas datas encontradas nas bases administrativas. Se o diagnóstico ou o tratamento não for registrado, estiver fora do escopo das fontes ou não puder ser relacionado por problemas de identificação, o caso pode não compor a medida. A data do primeiro procedimento registrado também não representa toda a linha de cuidado.

O acesso público ao Painel Oncologia está disponível no TabNet. A consulta deve registrar a data de extração, os filtros, a abrangência geográfica e o período selecionado.

11.10 Qualidade e cobertura

A cobertura do SISCAN varia no tempo e no espaço. A implantação gradual, a coexistência com os sistemas antecessores e diferenças locais de digitação fazem com que a ausência de registros possa indicar tanto ausência de procedimento quanto falha ou atraso de informação. Após 2015, as bases nacionais de SISCOLO e SISMAMA deixaram de receber atualizações regulares, sem que o SISCAN alcançasse de imediato a mesma cobertura em todos os locais (TOMAZELLI; RIBEIRO; DIAS, 2022).

Relatórios de qualidade mostram que campos essenciais e complementares apresentam graus distintos de preenchimento. A avaliação deve considerar completitude, consistência, duplicidade, oportunidade e coerência entre solicitação, resultado e seguimento (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2022).

Quadro 11.9: Dimensões de qualidade e verificações recomendadas
Dimensão Verificação prática Consequência possível
Cobertura Comparar produção com SIA/SUS e séries locais Subestimação de exames e resultados
Completitude Medir campos vazios por período e território Viés em estratificações clínicas
Consistência Confrontar indicação, idade, exame e resultado Classificações incompatíveis
Duplicidade Examinar identificador, datas e prestador Superestimação de pessoas ou exames
Oportunidade Comparar realização, liberação e competência Interpretação incorreta de tendências recentes
Continuidade Avaliar atualização do seguimento Subestimação do cuidado posterior

11.11 Indicadores e exemplos de análise

O SISCAN permite construir indicadores de produção, perfil, resultado, qualidade e oportunidade. A definição deve explicitar população, período, unidade de contagem e fonte do denominador.

Quadro 11.10: Exemplos de indicadores derivados do SISCAN e do Painel Oncologia
Indicador Numerador Denominador ou referência Cuidado
Razão de exames de rastreamento Exames de rastreamento na população-alvo População-alvo estimada Exames não equivalem a pessoas cobertas
Proporção de resultados alterados Exames com resultado definido como alterado Exames satisfatórios com resultado válido Categorias variam por tipo de exame
Proporção de amostras insatisfatórias Exames classificados como insatisfatórios Exames processados Avaliar laboratório e período
Tempo para liberação do laudo Diferença entre realização e liberação Distribuição de exames com datas válidas Preferir mediana e percentis
Seguimento registrado Pessoas com conduta ou acompanhamento informado Pessoas com resultado que requer seguimento Registro incompleto reduz o indicador
Tratamento oportuno Casos tratados dentro do intervalo definido Casos com diagnóstico e tratamento vinculados Usar Painel Oncologia e documentar critérios

11.11.1 Exemplo: cobertura de mamografia

Uma análise de mamografia pode começar pelo número de exames de rastreamento em mulheres da faixa etária definida, distribuído por residência e ano. Esse numerador pode ser relacionado à população feminina estimada, mas o resultado é uma razão de exames, não a proporção exata de mulheres rastreadas. Pessoas com exames repetidos elevam o numerador.

11.11.2 Exemplo: oportunidade do diagnóstico e do tratamento

Para estudar tempo, identifique claramente os marcos usados: solicitação, realização, liberação do resultado, diagnóstico ou primeiro tratamento. O SISCAN detalha a parte inicial desse percurso; o Painel Oncologia relaciona diagnóstico e tratamento em diferentes sistemas. Os dois intervalos não são intercambiáveis.

11.12 Análise territorial e temporal

O território pode ser atribuído pela residência da pessoa, pela unidade solicitante ou pelo prestador. A residência descreve a população atendida; a unidade solicitante expressa a porta de entrada; o prestador mostra onde o exame foi realizado. Compará-los permite estudar deslocamentos e organização regional da oferta.

Em séries temporais, competência de processamento, data da solicitação, data do exame e data do laudo podem produzir curvas diferentes. Períodos recentes são particularmente sensíveis a atraso de digitação. Mudanças de versão, regras, implantação e cobertura precisam ser assinaladas nos resultados.

11.13 Acesso aos dados

11.13.1 SISCAN no TabNet

As tabulações públicas do SISCAN estão disponíveis na página do sistema no DATASUS. As opções e os períodos disponíveis devem ser conferidos na data da consulta (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. DATASUS, 2026b).

11.13.2 SISCOLO e SISMAMA

As séries históricas dos sistemas antecessores podem ser consultadas na página do SISCOLO e do SISMAMA. Elas são importantes para análises anteriores e para avaliar a transição entre sistemas (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. DATASUS, 2026a).

11.13.3 Acesso ao Painel Oncologia

O Painel Oncologia pode ser tabulado no TabNet. A página institucional de controle do câncer descreve a ferramenta e suas fontes (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2026).

11.13.4 Manuais e relatórios

O manual do SISCAN está organizado em módulos sobre apresentação e fluxo, exames e faturamento, seguimento e monitoramento da qualidade. Ele pode ser consultado na página do manual (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2021). O relatório de qualidade dos dados está disponível na página do relatório (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA, 2022).

11.14 Relacionamento com outros sistemas

O SISCAN ganha valor analítico quando relacionado ao CNES, para caracterizar os serviços; ao SIA/SUS, para comparar a produção ambulatorial; ao SIH/SUS, para localizar internações; ao SIM, para estudar mortalidade; e aos registros de câncer, para completar informações clínicas e epidemiológicas. O Painel Oncologia é um exemplo institucional dessa integração.

Relacionamentos nominais exigem identificadores protegidos, governança e base legal. Nas bases públicas, identificadores pessoais são suprimidos ou limitados, o que reduz a possibilidade de linkage individual. A ausência de vínculo em dados disseminados não demonstra que os registros não correspondam à mesma pessoa.

11.15 Cuidados de interpretação

  • Diferencie exames, requisições, laudos e pessoas;
  • Separe rastreamento de investigação diagnóstica;
  • Identifique o território usado: residência, solicitação ou prestação;
  • Não interprete competência como data clínica sem verificação;
  • Avalie a implantação local antes de comparar territórios;
  • Compare SISCAN e SIA/SUS quando a pergunta envolver volume de procedimentos;
  • Preserve SISCOLO e SISMAMA nas séries históricas;
  • Trate seguimento ausente como informação desconhecida, não como ausência de cuidado;
  • Registre filtros, categorias, versão, período e data de extração;
  • Não use SISCAN ou Painel Oncologia como estimadores isolados de incidência.

11.16 Checklist final

Antes de concluir uma análise, verifique se:

  • A pergunta foi associada à fonte adequada;
  • A unidade de contagem foi declarada;
  • Exames repetidos foram tratados de acordo com o objetivo;
  • A indicação de rastreamento ou diagnóstico foi considerada;
  • Datas clínicas e competência foram mantidas distintas;
  • SISCOLO e SISMAMA foram avaliados quando o período inclui a transição;
  • A cobertura foi comparada com SIA/SUS ou outra referência pertinente;
  • Completitude, consistência, duplicidade e oportunidade foram examinadas;
  • Os limites do relacionamento de registros foram descritos;
  • Resultados do Painel Oncologia foram interpretados conforme suas fontes;
  • Endereços, filtros e data de acesso foram documentados;
  • As limitações foram apresentadas nas conclusões.

11.17 Bibliografia recomendada

11.17.1 Documentos oficiais

11.17.2 Artigos

11.18 Veja também